História: The Final Frontier - 2010



2010 - THE FINAL FRONTIER
Por: Ricardo Heavyrick (História e Caos

E depois de 14 álbuns, e quase 30 anos do lançamento de seu primeiro álbum, chegamos ao 15º álbum da banda: The Final Frontier.

Sabemos que não é o fim da banda, eles vão lançar outro álbum em 2015. Mas muito se dizia que Harris iria encerrar os trabalhos no 15º álbum da banda, e para ajudar, ele tem logo o nome de "Jornada Final", que é para deixar qualquer fã da banda apreensivo - inclusive este que vos fala.

Ano de 2010, vamos voltar um pouco no tempo: Pepe Mujica assume a presidência do Uruguai; Dilma Rousseff é a primeira mulher eleita presidente do Brasil; A Espanha vence a Copa do Mundo de futebol masculino, e morre aos 87 anos, o escritor português José Saramago.

Na música, uma das maiores perdas já sofridas pelos fãs do heavy metal: Ronald James Padavona, Dio, morreu aos 67 anos após enfrentar um câncer no estômago. Não foi apenas quem popularizou a "Mão Chifrada" ou maloik, mas foi um dos maiores (não de altura) vocalistas do estilo. Durante a The Final Frontier Tour, Bruce dedicou a música Blood Brothers para Dio algumas vezes (Veja o vídeo).

Ainda em 2010, tivemos os seguintes lançamentos: Gamma Ray, To the Metal; Blaze Bayley, Promise and Terror; Dark Tranquillity, We Are the Void; Slash, Slash; Sabaton, Coat of Arms; Ozzy Osbourne, Scream; Avenged Sevenfold, Nightmare (com Mike Portnoy na batera); Blind Guardian, At the Edge of Time; Angra, Aqua e Motörhead, The Wörld Is Yours.



SATELLITE 15... THE FINAL FRONTIER, o som começa com o astronauta narrando seu desespero por estar fora da rota espacial e tentando algum contato com o comando para se salvar. É uma intro longa, e bem que os caras podiam ter fatiado o som em duas partes, mas...

Na segunda parte, The Final Frontier, o astronauta se lamenta de estar perdido, sem ter chance de escapar. Enquanto se aproxima de virar churrasquinho queimado do sol, ele reflete sobre sua vida.



Quando me deparei com esta letra, realmente pensei que a banda iria encerrar suas atividades. Pois a letra toda tem tom de despedida, com frases como

I've had a good life, I'd do it again
Eu tive uma boa vida, eu faria tudo de novo
Maybe I'll come back some time, my friends
Talvez eu volte algum dia, meus amigos

If I could survive to live one more time
Se eu pudesse sobreviver para viver mais uma vez
I wouldn't be changing a thing at all
Eu não mudaria absolutamente nada
Done more in my life than some do in ten
Fiz mais em minha vida do que muitos fazem em dez



EL DORADO é sobre um vigarista que tenta iludir alguém a ir para a busca da lenda de El Dorado:

Em 1534, enquanto Cuzco caia nas mãos de Francisco Pizarro, Sebastian de Belalcázar conquistava o Quito. Durante sua expedição, Sebastian teria conhecido um índio e prisioneiro em Lacatunga, que teria lhe contado sobre seu rei que vivia numa terra chamada Cundinamarca. Esta terra tinha tanto ouro, que o rei costumava cobrir o corpo com pó de ouro como oferenda aos deuses, no meio do Lago Guatavita (Colômbia). Nascia ali a lenda de El Dorado - pelo menos esta é a versão mais difundida dela. A história foi se espalhando e tinha quem contava que a cidade toda era feita de ouro, e muitas expedições foram feitas para encontrá-la.

Como vocês podem imaginar, ninguém encontrou a tal cidade nem o índio de ouro.



Na frase "I'm jester with no tears" é citada faixa "Script for a Jester's Tear", do álbum de mesmo nome de 1983, da banda inglesa Marillion. O Blind Guardian também cita o Marillion na música "Script for my Requiem", no refrão. Não encontrei nenhuma citação sobre Jester's Tears antes do Marillion, então também não posso afirmar se isto está em alguma obra literária. Se alguém encontrar, deixe nos comentários.

MOTHER OF MERCY é outro som que fala sobre o sentimento de um soldado em uma guerra. Vamos para o fim da música:

I'm just a lonely soldier fighting in a bloody hopeless war
Eu sou apenas um soldado solitário lutando numa guerra sangrenta sem esperança
Don't know what I'm fighting, who it is, or what I'm fighting for
Não sei o que estou enfrentando, quem é ou pelo que estou lutando
Thought it was for money, make my fortune, now I'm not so sure
Achei que fosse por dinheiro, fazer minha fortuna, mas agora não estou certo
Seem to just have lost my way
Parece que apenas perdi meu caminho

Tirando o fim da música, fico inclinado a achar que é o ataque ao Iraque - cujos os principais aliados eram Reino Unido e EUA.

I always thought I was doing right
Eu sempre achei que estava fazendo o que era certo
As of now I'm not feeling so sure
Mas a agora não tenho tanta certeza

A premissa da guerra contra o Iraque era falsa, uma vez que o Iraque não possuía as tais armas de destruição em massa que tanto alegou a administração Bush (2001 - 2009) - todos sabem o que os EUA queriam, "It's the Oil, stupid!"



No meio da música ele fala sobre religião e sobre alguém que se diz ser um homem santo, e que de santo nada se vê. Bom, isto era típico do Bush de se fazer de religioso enquanto invadia outros países com a desculpa da guerra contra o terrorismo.

COMING HOME é Bruce descrevendo a sensação de voltar para sua casa enquanto pilota. Lembrando que além de pilotar o avião Ed Force One e levar o Iron Maiden pelo mundo, Bruce também fazia voos comerciais.



Na letra, quando Bruce diz "to Albion's land", ele se refere ao antigo nome da ilha da Grã-Bretanha, na época celta.

O Ed Force One é um Boeing 757 que foi utilizado pela banda, e pilotado por Bruce, nas turnês Somewhere Back in Time World Tour (2008 - 2009) e na turnê The Final Frontier World Tour (2011). A banda gravou o documentário Iron Maiden: Flight 666 que foi lançado em abril de 2009. O filme registra os bastidores da turnê Somewhere Back in Time World Tour, onde eles percorreram 70.000km, passando em 5 continentes, fazendo 23 shows em apenas 45 dias!



THE ALCHEMIST fala sobre John Dee (1527 - 1608), inglês, matemático, astrônomo, astrólogo, geógrafo e ocultista.

Dee começou sua carreira como um matemático e filósofo. Por volta de 1556, Dee tinha a maior biblioteca da Inglaterra em sua cidade Mortlake, que se tornou um centro de aprendizado fora das universidades. Entre as décadas de 1550 até 1570 Dee foi conselheiro da rainha Elizabeth I (a última monarca da dinastia Tudor), auxiliou na parte técnica das navegações e também na parta ideológica, sendo favorável a criação do Império Britânico.

My dreams of empire for my frozen queen will come to pass
Meus sonhos de império para minha rainha congelada passarão
Know me, the Magus. I am Dr. Dee and this is my house
Conheça-me, o Mago. Eu sou Dr Dee e esta é minha casa



Mesmo tendo algum sucesso no campo da matemática, Dee ainda não estava satisfeito, pois julgava ainda ter pouco conhecimento sobre os segredos da natureza, além do ego ferido, por ter pouco reconhecimento sobre seus trabalhos. Começou então a se voltar para o sobrenatural.

Conheceu Edward Kelley (1555 - 1597) que foi seu ajudante nos assuntos místicos. Dee começou a acreditar que falava com anjos e que estes lhe enviavam sinais. Viajou com seu ajudante pela Europa tentando convencer outras pessoas sobre suas "descobertas".



Até que 1587, Kelley sacaneou o parceiro. Disse a Dee que o anjo Uriel ordenou que os dois compartilhassem todos os seus bens, inclusive suas esposas.

I curse you Edward Kelly, your betrayal for eternity is damned
Eu o amaldiçoo, Edward Kelly, sua traição é condenada pela eternidade

Na época Kelley era mais famoso e ganhava mais dinheiro que Dee, e talvez tenha feito isso para afastar o parceiro. Dee, mesmo contrariado, fez "o que o anjo ordenou", mas logo em seguida abandonou a empreitada e voltou para a Inglaterra em 1589.

ISLE OF AVALON é sobre outro local lendário. Nesta ilha teria sido forjada a espada Excalibur, que pertencia ao Rei Arthur. A primeira citação desta lenda vem da obra do clérigo Geoffrey of Monmouth, Historia Regum Britanniae ("A História dos Reis da Bretanha") de 1136.



Esta obra traça a genealogia dos reis ingleses desde 1100 AC, e claro, o rapaz tinha muita imaginação - não existem evidências históricas sobre Arthur. Mas graças a esta obra, toda uma literatura foi criada ao redor das lendas do Rei Arthur.

STARBLIND é uma música bem complexa, cheia de metáforas. Mas de forma geral, Bruce quer que vejamos através de seus olhos e possamos refletir sobre a vida.

Let the elders to their parley meant to satisfy our lust
Deixe os anciões fazerem a negociação designada para satisfazer nossa luxúria
Leaving damacles still hanging over all their promised trust
Deixando Damocles pairando sobre toda a sua confiança prometida

Aqui ele fala dos velhos que pedem que confiemos em suas palavras de salvação. Ele cita Dâmocles para dizer que estas promessas podem se mostrar vazias a qualquer momento.



Dâmocles é personagem da anedota moral "A espada de Dâmocles". Dâmocles dizia que Dionísio era um homem afortunado por possuir tanto poder e autoridade. Dionísio ofereceu-se para trocar de lugar com Dâmocles por um dia, entretanto, pediu que uma espada fosse pendurada sobre o pescoço de Dâmocles e presa por um fio de rabo de cavalo. Dâmocles, óbvio, declinou da oferta. Com isso, Dionísio queria demonstrar que mesmo tanto poder pode lhe ser tomado de repente.

Walk away from freedoms offered by the jailors in their cage
Fuja das ofertas de liberdade dos carcereiros em suas celas.

Ou seja, o cara vive em seu mundinho como um ignorante e miserável, enquanto tenta convencer outros do que é a liberdade. E o som segue nessa vibe de dar lições de vida as pessoas.

THE TALISMAN é sobre uma galera que está fugindo de seu país, para nunca mais voltar, em dez navios rumo a uma terra cheia de fortunas e sonhos. Uma tempestade os atinge no caminho, quatro destes somem, e depois outra tempestade os atinge. O talismã, que não sabemos o que é (uma cruz?) está nas mãos do narrador.



Passaram vinte dias sem comer e dez sem água potável. Alguns morreram na tempestade e outros foram mortos por terem escorbuto - que é uma doença causada falta de vitamina C e era muito comum entre os marinheiros que passavam muito tempo em alto mar.

Westwards we sail on / Velejamos para o Oeste

Talvez o som fale sobre o peregrinos que vieram fugidos da Europa para a América, mas isso não fica claro, até porque os detalhes da letra não batem com a descrição histórica.

THE MAN WHO WOULD BE KING é sobre um cara (quem?) que queria ser rei, e só.

WHEN THE WILD WIND BLOWS é inspirado no filme When the Wind Blows de 1986, dirigido por Jimmy Murakami. O filme por sua vez, é adaptado do graphic novel de mesmo nome, feito por Raymond Briggs em 1982.



A história é de um casal que ouve no rádio que em três dias haverão ataques nucleares contra o país. Jim constrói uma proteção subterrânea contra explosões, enquanto lembram-se da época da segunda guerra mundial - o resto não vou contar, vejam o filme [aqui].

A música vai nesta mesma direção, o casal ouve a notícia que uma catástrofe inevitável irá acontecer, algo que iluminará todo o céu. Eles coletam tudo que podem e levam para um abrigo esperando sobreviver por um ano ou dois.

Fazem um chá e sentam-se calmos, apenas esperando para ver o que vai acontecer.

When they found them, had their arms wrapped around each other
Quando eles os encontraram, estavam abraçados um ao outro
The tins of poison laying nearby their clothes
As latas de veneno caídas perto de suas roupas
The day they both mistook an earthquake for the fallout,
O dia em que ambos confundiram um terremoto com partículas radioativas
Just another when the wild wind blows...
Apenas um outro, quando o vento selvagem sopra...

E é isso aí galera, eu ia dizer que acabamos por aqui, mas Eddie deixou este cartão no natal...



Agradeço as fontes (fóruns, sites de letras e etc) e principalmente ao Iron Maiden Commentary. Vocês que sabem ler em inglês (ou gostam de usar tradutor), recomendo visitar a página dos caras, é bem completo e interessante o trampo deles.

Agradeço também a galera que tem compartilhado estes posts pelo facebook, em seus próprios blogs, seja copiando, seja editando, não importa, o mais legal é espalhar para a galera que curte a banda, as histórias que estão por trás de cada som, e nos surpreendermos cada vez mais com a genialidade destes ingleses.

E até o próximo álbum \m/

TRACKLIST THE FINAL FRONTIER - 2010

1. SATELLITE 15.....THE FINAL FRONTIER
2. EL DORADO
3. MOTHER OF MERCY
4. COMING HOME
5. THE ALCHEMIST
6. ISLE OF AVALON
7. STARBLIND
8. THE TALISMAN
9. THE MAN WHO WOULD BE KING
10. WHEN THE WILD WIND BLOWS



FORMAÇÃO
BRUCE DICKINSON - Vocalista
STEVE HARRIS - Baixo
DAVE MURRAY - Guitarra
ADRIAN SMITH - Guitarra
JANICK GERS  - Guitarra
NICKO MCBRAIN - Bateria

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