História: Brave New World - 2000



2000 - BRAVE NEW WORLD
Por: Ricardo Heavyrick (História e Caos

Chegamos ao tão esperado ano 2000, ano de lançamento do Brave New World, contando com a volta de Bruce e Adrian. O Maiden passa a contar com UM, DOIS, TRÊS, guitarristas, e, uma das mais poderosas vozes do Metal!

Nesse mesmo a Sony lança o Playstation 2, é galera, faz tempo! Em 2000 acontece uma das maiores tragédias da história dos EUA, George Bush (filho) é eleito presidente pela primeira vez... no ano seguinte outra tragédia, o país é atacado pelo amigo de negócios da família Bush, Bin Laden. Na música, alguns bons álbuns foram lançados: Infinite do Stratovarius; Deggial do Therion; Dark Ride do Helloween e por aí vai.



THE WICKER MAN fala sobre o egoismo do ser humano e do nosso desinteresse sobre a vida em geral. Ele cita um personagem interessante da mitologia grega: o barqueiro (ferrymen) Caronte.

"Caronte, velho e esquálido, mas forte e vigoroso, que recebia em seu barco passageiros de todas as espécies, tão numerosos quanto as folhas no outono. Todos se aglomeravam para passar, mas o barqueiro só levava aqueles que escolhia, empurrando os restantes para trás. Aqueles que são acolhidos a bordo do barco são as almas dos que receberam os devidos ritos fúnebres. Os espíritos dos outros, que ficaram insepultos, não podem passar o rio, mas vagueiam cem anos acima e abaixo de sua margem, até que finalmente sejam levados".



Caronte fazia a travessia das almas dos mortos para o outro lado, para Hades, sobre as águas dos rios Estige e Aqueronte. Era comum na Grécia Antiga o enterro dos mortos com uma moeda sobre a boca, ou dentro dela para o pagamento do barqueiro. Quem não tinha essa moeda era o povo que ficava vagando.



"The shadow of the Wicker man is rising up again". O filme The Wicker Man (original de 1973, e remake de 2006) inspirou a citação da frase na música.

O Wicker Man (o homem de vime ou homem de palha), era uma estátua representando um ser humano, era usada pelos druidas em um ritual muito legal. Eles colocavam coisas vivas dentro do homem de palha, como animais e às vezes seres humanos, tacavam fogo neles, pegavam as cinzas e espalhavam pelos campos para fertilizá-los! Há quem desconfie dos sacrifícios humanos pois não houveram testemunhas oculares.



Há uma página no Facebook com fotos do evento WickerMan Festival de Dundrennan, na Escócia. O evento acontece todos os anos desde  2001.

Seguimos o barco com GHOST OF THE NAVIGATOR,  que é uma metáfora sobre a vida. O mar é a vida, a rota para o oeste é a morte, pois é onde o sol se põe. O timoneiro do navio somos nós que viajamos durante a noite, que é a representação da escuridão, do desconhecido. E durante o dia, o sol é encoberto pelas nuvens, mas mesmo assim seguimos adiante.



Navegamos por entre as rochas, as sereias tentam nos distrair, e nos seguramos com força ao leme. Não vamos desistir agora que deixamos a escuridão para trás... afinal, não temos outra saída! Precisa falar mais algo?

BRAVE NEW WORLD (Admirável Mundo Novo), é uma grandiosa obra do escritor inglês Aldous Huxley (1894–1963). O livro descreve uma sociedade extremamente científica, onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais da sociedade, essa sociedade não possui ética religiosa e valores morais. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeito colateral aparente chamada "soma". As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe. (texto completo com análise do livro, aqui).



Assista no Youtube uma entrevista com Huxley realizada em 1958. O interessante é que apesar de ser uma entrevista de mais de 50 anos, ela parece bem atual.

Nesta tirinha de Stuart McMillen é feito um paralelo entre o Brave New World de Huxley e 1984 de George Orwell, eu acho essa tirinha comparativa genial!

O nome Brave New World por sua vez, é baseado na obra de Shakespeare (sempre ele), A Tempestade, de 1612, que traz em sua página 109, (Ato V, cena I) a citação de Miranda:
Oh! Que milagre! 
Que soberbas criaturas aqui vieram! 
Como os homens são belos!
Admirável mundo novo que tem tais habitantes!


BLOOD BROTHERS fala da relação de Steve Harris com seu pai. Isso fica evidente neste trecho:
"Just for a second a glimpse of my father I see
And in a movement he beckons to me
And in a moment the memories are all that remain
And all the wounds are reopening again".
A música fala sobre o sentido da vida, assunto recorrente nos álbuns da banda.

THE MERCENARY fala sobre um mercenário, assim como em "The Assassin", que fala de um assassino, e só.

DREAM OF MIRRORS é outra faixa sobre os sonhos de Harris. O cara sonha e faz a música depois. A música fala do lado escuro das coisas, sobre pensamentos, sobre o conflito realidade X ilusão. Algo citado na música, é o tal do sonho em preto e branco "I only dream in black and white".

Sim, existem pessoas que sonham em preto e branco (ou em tons pastéis) mas são poucas. É uma discussão que existe desde os anos 50. Os estudos foram mostrando que o número de pessoas que sonhavam colorido aumentava, conforme o aumento de pessoas com TV colorida - Hypersicence,

THE FALLEN ANGEL fala sobre a batalha do bem contra o mal, que segundo Harris, supostamente, acontece dentro de nós.

Azazel é um anjo caído (Fallen Angel) ou é um lugar ou é aquele que é mandado embora.

Ele é mencionado no velho testamento (Torá), em Levítico 16. Onde Arão fala de dois bodes, um que é sacrificado para deus e outro que é enviado para Azazel.

No dia da expiação, Yom Kippur, é feito um rito onde um bode "recebe" todos pecados do povo de Israel, e é enviado para o deserto como forma de expiação, daí o nome, bode de expiação, no inglês, escape goat.

Azazel é o lugar para onde o bode vai, ou, ele é o demônio quem reclama por este bode. A maioria das fontes apontam Azazel como um anjo caído.

A expressão bode expiatório (pessoa ou grupo de pessoas, comumente inocente, que leva a culpa por uma série de eventos através de um complô) que usamos hoje em dia vem desta lenda judaica.

O dia de Yom Kippur é feriado judaico, segundo a tradição eles tem de ficar num jejum de 25 horas, não podem ter relações conjugais, não poder usar nada de couro (não podem usar nada que seja resultante da morte de algum animal), não podem tomar banho e nem passar perfume. Pois é.

Os 9 minutos de THE NOMAD falam sobre a vida de um nômade, um cara sem destino (é discutível) que vive de um lado para o outro no deserto.



Os seres humanos antes de descobrirem a agricultura eram basicamente nômades, ficavam num local até que a comida ficasse escassa, ou ficasse muito perigoso. Graças a agricultura o povo tornou-se sedentário, começou a se concentrar, concentrar ... até chegar nesse caos que é hoje. Porém, ainda assim muitos povos não pararam com sua vida de errantes, e continuam na sua lida de nunca ficarem parados num lugar só, seja na tundra, seja no deserto, seja nas grandes cidades.

Algumas fotos de nômades do holandês Jeroen Toirkens estão reunidas em seu livro Nomad, algumas delas aqui neste link. Mais fotos de nômades na National Geographic.



OUT OF THE SILENT PLANET é inspirado no filme de 1956, The Forbidden Planet (veja o trailer abaixo), com o jovem Leslie Nielsen. O filme é baseado na peça A Tempestade de Shakespeare... é, a mesma peça que inspirou o nome Brave New World de Huxley.

Este filme inspirou Star Trek, que surgiu 10 anos depois. Star Trek do capitão James T. Kirk, interpretado por Willian Shatner, que anos mais tarde representaria um dos advogados mais loucos do mundo: Denny Crane! (Desculpem senhores e senhoras, eu viajei na maionese agora usahhsahasua). Onde estava mesmo? Ah é, no planeta proibido.



A música tem uma interpretação bem ampla, por exemplo, em "Withered hands, withered bodies begging for salvation" pode ser considerado o sofrimento das pessoas que pedem por salvação ou por uma vida melhor; "Deserted by the hand of gods of their own creation" aqui as pessoas foram abandonas pelos deuses que elas mesmas criaram, ou seja, todo aquele castelo de areia, de ilusões dos mitos, não mais existe, como de fato nunca existiu, o que existe apenas é a dura e cruel realidade, e por aí vai. O planeta silencioso, parece ser a Terra.

Mas se você achar que a letra fala de alguma guerra nuclear, também cabe aí, depende da luz que você der à letra.



Finalizando o álbum, THE THIN LINE BETWEEN LOVE AND HATE, fala novamente de bem e mal, sobre a linha tênue que os separa, aquele velho conceito judaico-cristão. As letras de cunho cristão da banda normalmente são de Steve Harris, e esta não é diferente (feita em parceria com Dave Murray).

Sendo assim, Harris me faz invocar Zaratustra. Nascido na Pérsia nos meados do século VII antes de Cristo, foi um profeta fundador do Zoroastrismo ou Masdeísmo.

Ao zoroastrismo é atribuído os conceitos de monoteísmo, dualismo (bem e mal moral), juízo final, pós vida, paraíso e o messias, que, influenciaram as grandes religiões monoteístas vindouras: judaísmo, cristianismo e islamismo. É uma religião que por sua vez tem influências nas religiões arianas, que era o povo que vivia no que hoje é a Índia. Ou seja, o dualismo é um conceito MUITO antigo.

E é isso aí galera, até o Dance of Death!!

TRACKLIST DE BRAVE NEW WORLD - 2000
  1. THE WICKER MAN 
  2. GHOST OF THE NAVIGATOR
  3. BRAVE NEW WORLD
  4. BLOOD BROTHERS
  5. THE MERCENARY
  6. DREAM OF MIRRORS
  7. THE FALLEN ANGEL
  8. THE NOMAD
  9. OUT OF THE SILENT PLANET
  10. THE THIN LINE BETWEEN LOVE & HATE


FORMAÇÃO
BRUCE DICKINSON - Vocalista
STEVE HARRIS - Baixo
DAVE MURRAY - Guitarra
ADRIAN SMITH - Guitarra
JANICK GERS  - Guitarra
NICKO MCBRAIN - Bateria

LEIA TODOS OS POSTS DA SÉRIE
IRON MAIDEN (1980) // KILLERS (1981) // THE NUMBER OF THE BEAST (1982) // PIECE OF MIND (1983) // POWERSLAVE (1984) // SOMEWHERE IN TIME (1986) // SEVENTH SON OF A SEVENTH SON (1988) // NO PRAYER FOR THE DYING (1990) // FEAR OF THE DARK (1992) // THE X FACTOR (1995) // VIRTUAL XI (1998) // DANCE OF DEATH (2003) // A MATTER OF LIFE AND DEATH (2006) // THE FINAL FRONTIER (2010)
Próxima
« Anterior
Anterior
Próxima »