História: Killers - 1981

Nosso parceiro Ricardo Heavyrick está de volta com o segundo post da série sobre as referências históricas por trás das composições do Iron Maiden. No texto abaixo, saiba mais sobre o que há nas entrelinhas das músicas do segundo disco da Donzela de Ferro, o "Killers" de 1981!



1981 - KILLERS
Por: Ricardo Heavyrick (História e Caos)

Logo de cara, na faixa instrumental THE IDES OF MARCH, um tema de minha preferência, Roma! A tradução para o termo é Idos de Março.

O primeiro calendário romano, segundo a lenda, foi elaborado por Rômulo em 753 A.C. e tinha 10 meses de 30 e 31 dias, totalizando 304 dias. Os 61 dias restantes de inverno, não entravam na contagem. Em 713 A.C., o rei Numa Pompílio elaborou um calendário no modelo ateniense, mais preciso. Este tinha 12 meses de 29, 30 e 31 dias e a cada dois anos era inserido um 13º mês de 22 ou 23 dias. Este modelo foi substituído pelo modelo de Julio Cesar, o calendário Juliano, que também era um modelo confuso, mas pelo menos era mais "estável".

Dentro de cada mês, 3 dias tinham nomes especiais, são eles:
Calendas (Kalendae): é o dia primeiro do mês, é o primitivo da palavra calendário, que usamos até hoje;
Nonos (Nonae): 5º ou 7º dia, dependendo do mês, normalmente a noite do quarto crescente;
Idos (Idus): 13º ou 15º dia, dependenddo do mês, era normalmente noite de lua cheia.

Eu levei tudo isso para dizer que no calendário romano, os Idos de Março correspondia ao dia 15, data em que Julio Cesar foi traído e assassinado pelos senadores romanos, em 44 A.C.


Morte di Giulio Cesare ("Death of Julius Caesar"). Por Vincenzo Camuccini, 1798

De acordo com Plutarco, foram 23 facadas e 60 foram os conspiradores liderados por Brutus e Cássio.

"Beware of Ides of March" (Cuidado com os Idos de Março), é o que um vidente teria dito a Julio Cesar dias antes de sua morte. Claro, nas palavras de Shakespeare, em  A Tragédia de Julio Cesar, ano de 1599.

WRATHCHILD pode ser interpretada como a história de um filho de uma prostituta procurando pelo seu pai. E a criança está com raiva e procurando por todo lugar! Aliás, a palavra wrathchild não existe, são duas palavras juntas wrath e child.


Edgard Allan Poe

Segue o álbum pela rua sangrenta, em Paris: MURDERS IN THE RUE MORGUE que é nome de um conto de Edgard Allan Poe. Ele foi um escritor estadunidense nascido em Boston (1809) e morreu "semi-jovem", aos 40 anos. É um dos precursores da ficção científica moderna.

Este conto fala sobre assassinatos de mulheres na rua Morgue, esta rua é fictícia (pelo menos não achei no google mapas). O investigador Durpin é quem desvenda estes crimes.


Cartaz do filme de 1932 dirigido por Robert Florey.

ANOTHER LIFE e INNOCENT EXILE parecem seguir um pouco a história da música anterior. Na primeira uma voz o pede para morrer e a outra o personagem foge por ser acusado de um crime que não cometeu. KILLERS fala sobre as sensações de um serial killer sedento por sangue.

A instrumental GENGHIS KHAN não fala de nada (talvez por ser instrumental hehe), porém tem muita história. O Cã dos Clãs, Temujin (1162 - 1227), foi o maior conquistador de terras da história. Ele ainda morreu dizendo não ter atingido seu verdadeiro objetivo: Não ter tido tempo suficiente para conquistar todo o mundo!


Filme "Genghis Khan A Lenda de um Conquistador" de 2011

Assista abaixo um breve documentário do History Channel sobre Genghis Khan.




PURGATORY é um remake de uma música que o Maiden já tinha. O purgatório, segundo a lenda cristã, não é bem um lugar, mas uma condição temporária de sofrimento pós morte para alcançar a salvação. É tipo assim: se você foi muito bom, vai para o céu, se foi muito mau vai para o inferno e se o julgarem como "nem lá, nem cá", vai para o purgatório se livrar dos males restantes, mediante sofrimento claro, e aí vai para o céu.


An Angel Frees the Souls of Purgatory - Lodovico Carracci (1610)


Capa do single "Purgatory", lançado em 15 de Junho de 1981

PRODIGAL SON também tem uma conotação cristã, e também de outra mitologia, a Grega. Na música do Maiden, o personagem fala para Lâmia que cometeu muitos erros, foi possuído pelo Lu e que estava tornando-se mau.


The return of the prodigal son - Rembrandt (1662)

Na bíblia, em Lucas 15 11:32, há o que chamam de a Parábula do Filho Pródigo, que é meio o que está na letra, um filho que tinha tudo, gastou com bebidas, mulheres e Texas Hold'em e voltou arrependido para o pai dele.

Lâmia por sua vez, era filha de Posêidon e rainha da Líbia. Estava tudo bem na vida dela, até ela conhecer Zeus (o Deus safadão). Como de costume, Zeus a "persuadiu" e eles tiveram muitos filhos.

Um belo dia, Hera descobriu o novo casinho do maridão, matou as crianças de Lâmia, fez com que os olhos dela jamais se fechassem, algumas versões dizem que Hera a transformou em um monstro (Veja aqui o que ela fez com Hércules). Lâmia ficou louca e começou a devorar crianças. Zeus, penalizado, deu a ela a habilidade de tirar os próprios olhos para que ela sofresse menos com o que teria que  ver.


Lâmia no quadro "The kiss of enchantress" de Isobel Lilian Gloag (1890)

O poeta inglês John Keats escreveu uma obra sobre Lâmia, talvez aí resida a inspiração de Steve Harris. No filme Stardust, Michelle Pfeiffer interpreta a bruxa Lâmia.

TWILIGHT ZONE tem relação com as demais quando ele diz que quer sair do purgatório, que ele, morto, chama por ela e espera que ela morra logo pois ele está tão só.


Capa do single "Twilight Zone", lançado em 2 de março de 1981 

DRIFTER encerra este grande álbum, com um toque de esperança nos novos dias e novas aventuras!

Este é o segundo e último do vocalista Paul Di'Anno. Imagino os fãs da época como devem ter ficado tristes com a saída dele. A sorte é que nem deu muito tempo, Paul Bruce Dickinson chegaria para o próximo álbum. O melhor da Donzela e um dos maiores da história do Heavy Metal!


1. THE IDES OF MARCH (INSTRUMENTAL) 
2. WRATHCHILD
3. MURDERS IN THE RUE MORGUE"
4. ANOTHER LIFE
5. GENGHIS KHAN (INSTRUMENTAL) 
6. INNOCENT EXILE 
7. KILLERS
8. PRODIGAL SON 
9. PURGATORY
10. DRIFTER



FORMAÇÃO
STEVE HARRIS - Baixo e Backing Vocals
DAVE MURRAY - Guitarra
PAUL DI'ANNO - Vocalista Principal
CLIVE BURR - Bateria
ADRIAN SMITH - Guitarra e Backing Vocals

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