Loopy’s World (Parte 11) - Em Turnê



LOOPY'S WORLD (PARTE 11) - EM TURNÊ
Por: Steve Loopy Newhouse // Tradução: Ricardo Lira

Tanto já foi escrito sobre Den e Clive se juntando à banda que parece sem propósito passar pela mesma merda de novo, então vou manter o relato curto e objetivo.

Após gravar o primeiro álbum, a melhor coisa para a banda foi obviamente ser atirada de volta à estrada, mais uma vez. Só que dessa vez tínhamos um álbum para promover.



Nós começamos com uma pequena tarefa, que teria sido a turnê Metal For Muthas, mas porque as vendas do álbum atingiram uma alta muito boa, nos foi dado uma chance de fazer algo maior e melhor. Quando Rod disse que haviam nos oferecido a turnê do Judas Priest, a gente não conseguia acreditar.



"Oh, certo então", dissemos, e fomos para casa arrumar nossas malas. Um mês na estrada apoiando o Judas Priest era muito melhor que um mês sem saber de onde sua próxima refeição vinha. Nós devíamos ganhar ali cerca de £30 por semana, mas, em turnês com bandas como o Judas Priest, você nunca tirava pouco proveito das coisas. Fomos colocados em hotéis decentes, tivemos três refeições por dia, e fomos tratados muito bem pelo gerente de turnê do Priest, Dickie Bell.

Antes da turnê com o Priest, Paul Di'Anno deu uma entrevista com Geoff (Surdo) Barton, da revista Sounds, e tinha dito alguma coisa que ficou entendido como se o Maiden fosse detonar o Priest em cima do palco. Deve estar arquivado em algum lugar, deem uma olhada.



Isso causou certa inquietude com o guitarrista do Priest, KK Downing, tanto que KK não olhava mais sequer para gente, para banda ou equipe. Isso durou por um tempo, até chegarmos a Sheffield.

Era o aniversário de Steve Harris. Fomos colocados em um belo hotel chamado Royal Court (eu acho), nas periferias da cidade, e todo mundo foi convidado para o aniversário de Steve que se deu no bar do hotel.

As coisas estavam indo bem até ouvirmos uma batida nas portas da frente do hotel. Ian Hill (o baixista do Priest) havia tentado jogar o carro da banda para dentro do salão, ao ponto onde você podia ouvir as molduras da porta estalarem. Poucos caras da equipe do Priest e banda foram cuspidos pra dentro da festa, e o caos reinou por cerca de uma hora.

As coisas começaram a ficar fora de controle. Tony Slee, um dos caras da equipe de iluminação, foi visto passeando com uma toalha. Aparentemente ele achou o objeto do lado de fora de um dos quartos. O hotel estava passando por alguma reforma na época, então a desculpa era bem plausível, mas então ele a deixou cair na recepção. Sem precisar dizer a polícia foi chamada, mas, quando eles chegaram, os caras do Priest se mandaram para o hotel deles.



Após aquela noite nos tornamos todos bons camaradas. Até KK estava falando com todos nós e sentimos que havíamos nos tornado parte da fraternidade Heavy Metal. Rob Halford tinha se convencido de que Dave Lights era gay e ficava dando em cima dele o tempo todo.

Um dos concertos que damos na turnê aconteceu no Southampton Gaumont Theatre (hoje o Mayflower). Ótimo lugar e com um palco grande o suficiente para acomodar ambas as bandas, só que não tão largo para comportar nosso equipamento ao terminarmos, então carregamos nosso equipamento direto para o caminhão, voltamos para nos despedir do resto da banda e dissemos que nos veríamos no dia seguinte em Aberdeen.

Priest já estava há 20 minutos do set, e estávamos saindo para o caminhão, quando um dos nossos rapazes, e ainda não sei ao certo quem, calhou de bater em uma escada A-Frame de alumínio, que se espatifou no chão do palco, causando um barulho absurdo.

Infelizmente o incidente aconteceu durante a parte bem calma de 'Victim of Changes' (Once she was wonderful... etc)

Não que nos importasse. Eu, Lights e Pete fomos caminhando com aquilo para a porta de saída, para dentro do caminhão, e embora dali. Nada jamais foi mencionado sobre isso novamente, mas aconteceu.



Havia muitos trotes que o Judas Priest tentava aplicar na gente, mas gostávamos de pensar que éramos tão espertos quanto eles. Quando a turnê começou eles tentaram ferrar com nosso som, mas Dougie Hall, nosso novo cara, equivalia a qualquer coisa que eles tinham. Doug tinha lá seu próprio rack de som (complicada engenhoca para o não-iniciado). E ele apenas conectou o rack ao sistema deles e passou por cima de tudo o que haviam sacaneado.

Judas Priest logo percebeu que não estávamos para brincadeiras e começaram a nos levar a sério. Chegou o fim da turnê, nos tornamos bons amigos e, dentro de poucos anos, poucos da equipe deles estavam trabalhando para o Iron Maiden; notavelmente Marcus Cowe (agora acamado) e Dickie Bell, que ficou com o Maiden por mais de 25 anos.



Também começamos a usar a mesma companhia de iluminação, a Meteorlites, que se baseava em Baldock ou Hitchin, Hertfordshire.

Dois dos caras da Meteorlites da turnê do Priest se tornaram regulares de turnê do Iron Maiden também, Roger Gribowicz e Derek Goddard (RIP). Tenho certeza de ter havido outros, mas a família Maiden estava crescendo a cada momento.



Através da Meteorlites conseguimos encontrar um monte de pessoas influentes e continuamos a crescer e a melhorar.

Fomos apresentados a um cara chamado Charlie Kail, que tinha uma empresa chamada Brilliant Constructions. Tivemos uma ideia para um elevador de bateria e perguntamos a  Charlie se dava para ele construir um. Charlie nos convidou para ir até Baldock em um fim de semana, ver o que poderíamos conseguir, o que além de ter sido feito como intencionamos, se transformou em um caos absoluto.

Baldock é tipicamente uma pequena cidade inglesa, rodeada por paisagem em todas as direções. A avenida tem cerca de uma milha de distância com espantosos 16 pubs ao longo dela. E acreditem, nós paramos em cada umzinho deles. Minha cabeça dói só de pensar nisso.

Ainda tínhamos algum trabalho a fazer na manhã seguinte e, mesmo que ninguém estivesse muito a fim, de alguma forma conseguimos concluí-lo.

Nunca mais voltei a Baldock desde então, mas sinto que terei que voltar lá eventualmente, mesmo que seja para recuperar minha sanidade e, o mais importante, meu estômago.



Quando o ascensor de bateria foi completado, um par de semanas mais tarde, o Iron Maiden voltou para a estrada para concluir a turnê Metal For Muthas, que começamos antes do Judas Priest entrar em cena.

Essa turnê pode ter sido um pesadelo logístico, mas foi um enorme sucesso.

Como sempre, a agência e os promoters se enrolaram com a merda toda e começaram a mandar a gente pra todo lugar.

Para cima e para baixo no país, então de lado a lado, apenas dessa vez foi diferente. Dessa vez alguém estava dirigindo e orientando.

Eu e o restante da equipe estávamos em um frescão. Mas não só um daqueles velhos. Provavelmente o mais antigo frescão que a gerência poderia ter arrumado, completo com o mais velho motorista que puderam arrumar... Nah!!!! Estou me estendendo muito. O motorista, bendito seja, fez tudo o que podia para nos manter felizes.

Eu era um leigo nisso, mas tinha ouvido estórias de equipes viajando em ônibus com áreas de dormir e algum lugar onde sentar e assistir um filme enquanto viajavam de cidade a cidade.

Nós, não. Tínhamos era um frescão normal de 52 assentos e o melhor que eles podiam lhe proporcionar era virar alguns dos assentos para você ficar cara a cara com outro e tentar dar uma esticada. Sem brincadeira.

Fizemos 50 shows em 56 dias nessas condições, e sabe-se lá como conseguimos manter nossa sanidade.



Nessa turnê, o Maiden trouxe para dentro dois caras dos USA, Michael Kenney, quem trabalharia como roadie de Steve e até hoje trabalha, e Doug Hall, que foi o técnico de som do Maiden por cerca de 32 anos no total.

Eu sou devidamente grato ao Michael por ter me apresentado a algumas bandas durante aqueles dias, uma delas sendo a Journey.

Ainda hoje, se eu ouço uma faixa da Journey, especialmente 'Any Way You Want It', eu penso de volta naqueles dias com um sorriso torto. Obrigado, Michael.

A turnê, como disse anteriormente, foi a Metal For Muthas com o Maiden sendo o cabeça, Praying Mantis a banda suporte e nosso velho amigo Neil Kaye como DJ e instigador. (Ele vai amar ser chamado disso. Neil sempre pensou nele mesmo como o ato principal, tendo essas duas bandinhas como suas ajudantes. Tá bom... lol).

A turnê teve muitos nomes, um sendo a 'Heads Will Roll' Tour, devido ao montante de demissões que aconteciam, embora, de memória, não houvessem tantas. O outro nome foi a 'Chicken and Chips' Tour, nomeado simplesmente porque os promoters de cada lugar pensavam que todos nós queríamos galinha e batatas chips para jantar toda noite. Obviamente a mais barata opção para eles, mas que passou dos limites, uma noite em Bath.

Pete Bennett, o roadie de bateria do Praying Mantis, decidiu que aquilo tinha ido longe demais. Ele não queria galinha e batata chips de novo, e em contrapartida bateu de frente com o gerente de turnê do Maiden, Adrian Enfield Bance.

Não fez lá muita diferença, sendo honesto. A opção barata sempre acabava sendo galinha e batata chips, e dessa maneira ficou, até que, turnês mais tarde, a banda passou a levar fornecedores com eles. Ali, galinha e batata chips estava fora do menu. Bem, galinha teve.

Ao final da turnê Metal For Muthas/Chickens Will Roll, já tinhamos ouvido falarem sobre sermos banda de suporte do Kiss na Europa. Mas tínhamos um pequeno concerto a fazer, primeiro. Reading Festival.

Continua... 
Loopy's World (Parte 12) - Reading Festival e depois...

LEIA TAMBÉM: PARTE 1 / PARTE 2 / PARTE 3 / PARTE 4 / PARTE 5 / PARTE 5A 
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