Loopy’s World (Parte 8) - Entra Smallwood



LOOPY'S WORLD (PARTE 8) - ENTRA SMALLWOOD
Por: Steve Loopy Newhouse // Tradução: Ricardo Lira

Após uns poucos shows no Music Machine e incontáveis concertos em todo lugar, Steve foi apresentado a um cara chamado Rod Smallwood. Rod, pelo que eu lembro, tinha alguns contatos na indústria da música e feito parte do gerenciamento da IQ, banda de Paul Young antes da sua carreira solo se tornar hit no Reino Unido.

Eu poderia estar totalmente errado sobre isso, mas estou certo de haver um pequeno arquivista sentado lá em algum lugar que irá dizer ‘não, Loopy confundiu as coisas’. Como se eu me importasse?

Uma noite na Music Machine, uma em que o Iron Maiden era headliner, Rod veio e foi apresentado à banda. Tudo correu muito bem até onde eu sei. Então ele foi apresentado à equipe. Nós todos dissemos nossos olás, oi, como você vai, enfim, e voltamos para o que estávamos fazendo, isto é, arrumando as coisas para o show.

Rod foi muito rápido em perceber o potencial da banda e perguntou a Steve sobre um fã-clube. Aconteceu de estar prestando atenção a essa conversa e surgiu algo ali sobre se eu faria isso. Harris olhou para mim, então olhou para Rod e disse, “Nah!! Esse aí é um certo cavalo negro. Nós vamos achar algum outro”.

Até hoje eu não faço ideia do que ele quis dizer e o comentário não doeu. (N.T.: Steve usou a expressão ‘he’s a bit of a dark horse’, que parece ser uma antiga expressão usada na Inglaterra e E.U.A., referindo-se a um cavalo de corrida – cavalo negro – com potencial, mas que é desconhecido. Não é usado de forma depreciativa. Steve meio que disse: ‘Ele tem potencial, mas ainda é desconhecido’). Eu estava muito ocupado procurando por Doug então eu tinha mais o que fazer. Eu só estava oferecendo meus serviços. Não há mal nisso!!

Mas fez a Keith Wilfort um favor, já que Keith pegou o trabalho, meio período para começar, em novembro de 79, e integral em agosto de 1980, e manteve a roda girando até novembro de 1996. Isto é dedicação pra você.

Ná época, então, estávamos orgulhosos de ser membros de uma pequena equipe do extremo leste de Londres. E nós éramos um time. Todo mundo empurrava na mesma direção, com um objetivo. Fazer esta banda crescer.

De qualquer modo, o show em si era um grande sucesso como sempre e, uma vez Rod feliz com o modo como as coisas iam, ele tomou conta do gerenciamento da banda.

Não demorou muito para o efeito Rod começar a entrar em ação.

Rod estava sempre procurando maneiras de extrair mais da equipe do que o necessário. Nós fizemos um show em Swindon durante seu primeiro reinado e Rod não estava feliz comigo. Eu ainda não entendo o por quê, mas ele perguntou a Vic se eu não deveria continuar mostrando mais serviço. Vic simplesmente disse: “Ele é o roadie da bateria. Se ele montar o kit de forma certa da primeira vez, ele não tem necessidade de ficar perambulando”.

Vic me contou sobre isso mais tarde e disse que Rod não estava feliz. Eu não faço ideia de qual era o problema do Rod, mas de maneira alguma a cisma tinha terminado ali. Eu só estava fazendo meu trabalho e, mais ao ponto, estava fazendo de graça. Volta ao que eu estava dizendo mais cedo sobre todo mundo empurrando na mesma direção. A única pessoa  tentando foder com as coisas então era Rod Smallwood.

De repente nós estávamos fazendo shows por todo lugar. Se as distâncias tinham sido erráticas antes, agora elas estavam se tornando jogos mentais.



Após poucas semanas indo de Blackpool a Aberdeen a Liverpool a Glasgow a Norwich então Swansea, dissemos para Harris, "Isto tem que mudar. Estamos dirigindo pra baixo e pra cima e, embora amamos nosso emprego, não estamos conseguindo dormir."

Harry falou com Rod, mas continuamos no mesmo roteiro como os tropeiros que éramos. Então voltamos para Londres para começar os ensaios e tentar adicionar um segundo guitarrista.

O cara que conseguiu a vaga foi Tony Parsons, um cara alto e pálido com longa cabeleira loira divida ao meio. Ele tocava numa Gibson Flying V e tinha seus próprios amplificadores Marshall de 100w. Aquilo teria sido suficiente para impressionar qualquer um. Exceto Rod.



Nós voltamos para a estrada com Tony. De fato, costumávamos pegar Tony em seu local em Potter's Bar e, de onde estávamos acampados, foi bom seguirmos para o norte ou nós poderíamos tê-lo deixado pra trás.

Tony foi introduzido aos nossos shows de forma devagar. Ele entrava nos últimos números aqui e lá, mas não lembro de Tony fazer um show completo com a banda. Novamente, eu posso estar totalmente errado.

Eu gostava de Tony, mas ele tinha um problema, era possuir apenas um estilo. Ele parecia, tocava e soava como Michael Schenker. Não me entendam mal, eu amava Schenker e trabalhei com ele, mas só pode haver um. E esse foi o problema de Tony. Chegava ao ponto de um de seus solos ser tirado de um solo do Michael, da música 'Rock Bottom'. Nota a nota. Sendo um grande fã de UFO, eu fiz Harry se certificar disso.



Neste instante eu não havia percebido que os dias de Tony já estavam contados. A banda o pegou em agosto de 79. Tony tocou em cerca de 30 shows e tocou no álbum 'Metal For Muthas'. Ele também tocou no BBC Rock Show, e foi eventualmente demitido por Rod Smallwood na Paddington Station, no dia de aniversário do Tony (informação enviada por Barry Considine, obrigado sir).



Pouco após a demissão do Tony a banda tinha que passar algum tempo em estúdio, então fomos ao Wessex Studios, algum lugar ao norte de Londres, se minha memória não falha.

A ideia era gravar uma Demo para as gravadoras babarem. Maiden estava fazendo muito barulho nesta época e, claro, havia várias companias interessadas. Acho que a EMI desembolsou um fundo para isso, embora eu não tenha certeza.

Então, fizemos o que sempre fazíamos. Chegamos na hora, descarregamos a van e colocamos o equipamento onde diziam pra gente colocar. De memória, o estúdio de Wessex era quase como um depósito vazio com uma sala de controle no andar de cima, no escritório do gerente.

As duas músicas solicitadas foram 'Burning Ambition' e uma nova música chamada 'Running Free', escrita por Harris e Di'Anno.



O tanto quanto consigo me lembrar, tudo foi muito bem com as gravações, mas houve comentários feitos sobre Doug não ir bem. Eu presumi que ele tivesse pegado outro resfriado ou algo similar.

Com uma Demo decente na sacola, Rod conseguiu assegurar um contrato com a EMI. Nós estávamos em total êxtase. Não tínhamos ido tão longe assim, mas todo o sacrifício acabou sendo pago.

Enquanto a equipe ainda trabalhava duro para todos os instrumentos parecerem bons e soarem ótimos, o que veio em seguida foi inesperado e me surpreendeu totalmente.

Doug tinha se demitido por razões médicas.

Merda, eu pensei, que porra eu faço agora? Eu falei com todo mundo tentando encontrar algum sentido nisso tudo, mas ninguém tinha uma resposta. Pra Doug, seu tempo tinha chegado.

Eu poderia ter chorado, mas fui falar com Dave Murray que simplesmente disse, "Você é um de nós. Quem quer vá substituir Doug, você continuará sendo um de nós".

Não havia uma opção. Eu era um membro não-pago da Killer Krew. Mesmo que na época eu não soubesse disso.

Continua... 
Loopy's World (Parte 9) - O começo do resto

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