Loopy’s World (Parte 2) - O nascimento da besta



PARTE 2 - O NASCIMENTO DA BESTA 
Por: Steve Loopy Newhouse // Tradução: Ricardo Lira

Paul pegou o emprego, o que virou história, mas permitam-me expandi-la um pouco mais.

Então ele se mandou para os ensaios, por sua conta por um tempo, mas logo se tornou óbvio que Paul queria me rebocar junto. E eu tenho que admitir que mal podia esperar para encontrar esses caras.

Eu disse a Paul algumas vezes: "Deixe-me ir junto e vou ver se eles querem que eu ajude".

Então, uma noite me encontrei com Paul em rota para a estação de Leyton, pegamos o trem para Mile End e fizemos integração para Bromley-by-Bow. Uma vez fora da estação e após diversos clandestinismos, nos encontramos em Carpenters Road.

O estúdio Scarf era um bloco degradado de prédios acima de umas velhas garagens inutilizadas. Isto era uma parte da East End a qual eu não estava acostumado, e tenho que admitir que me dava arrepios. Havia dois lances de escadas subindo até o andar do estúdio, talvez 16 no total, mas quem está contando?

Uma vez que você alcançava o andar do estúdio, a sala de ensaio que o Maiden usava era normalmente o primeiro estúdio à direita. Este foi o quarto onde encontrei Dave Murray, Doug Sampson e Steve Harris pela primeira vez.

Agora é estranho pensar que Harris era um ano mais velho que eu, no mesmo colégio, mas nunca nos encontramos. Ainda mais estranho eu suponho que Phil Collen (Def Leppard) fosse um ano mais novo, como era Paul (Taylor, Andrews, Di'Anno ou que quer seu nome fosse), no mesmo colégio, e ninguém os notasse também. Tanto talento em uma escola só!

A necessidade de cair fora de Waltham Forest era imensa. Ainda é eu suponho, mas não mais que qualquer outra área.

Então aqui estou eu, cara-a-cara com o que se tornará a maior banda de heavy metal do mundo.

Bem, ainda não. Há aquela pequena coisa chamada de ensaios, primeiro.

Estive em uma banda própria naquela época, não tínhamos nome, mas estávamos felizes usando os mesmos estúdios que Paul e seus novos companheiros, simplesmente porque eles eram baratos. 16 libras uma noite, de 6h até as 23h era o melhor que tinha na área, na época.

Nesta época, eu já tinha esbarrado com os caras do Maiden poucas vezes, e nós fomos ficando famosos. Minha banda dava uma pausa e ouvia eles tocarem, e vice-versa. Nós estávamos conversando um dia quando nossas pausas coincidiram, e Harry disse que eu era um bom baixista, e ele me convidou para ouvir o que eles (Maiden) estavam fazendo.

Eu entrei, ouvi, saí e disse ao restante da minha banda que eu estava desistindo.



O que Steve conseguia tocar com os dedos me envergonhou com a palheta. E Andy Scott, do Sweet, descobriria de maneira dura, mas isso é uma outra estória.

Eu me senti tão embaraçado de me chamar de baixista que eu pendurei minha palheta desde então.

Eu ficaria feliz de limpar seus sapatos, mas eles me trouxeram pra banda, e pelos próximos poucos meses eu fui praticamente o quinto membro do Maiden.

Cada domingo à tarde tornou-se uma rotina. Ensaios rolavam de 14h às 20h, sendo que algumas vezes nós seguíamos até as 22h, se o estúdio não tivesse sido pré agendado.

Paul me encontrava na estação Leyton e nós sempre chegávamos mais cedo, mas não sempre por entusiasmo. Não, não!!!

Se nós chegássemos na hora certa, poderíamos ir até o Carpenters Arms e pegar comida de graça no bar, com nossas canecas de cerveja antes de começarmos os ensaios. Frutos do mar e batatas assadas sempre tinham lá no bar, e então nos servíamos. Bem, se os locais não queriam aquilo, é claro que nós queríamos.

Tenho que admitir, minha mãe sempre tinha um jantar quente esperando por mim quando voltava pra casa no domingo à noite, mas eu acho que não era bem assim que acontecia com Paul.

Minhas memórias dos ensaios são um borrão. Algumas semanas nós ensaiávamos aos domingos, outras semanas no domingo e na quarta-feira, e havia diversos ensaios.



Naquele momento eu estava tendo uma ideia de como eram os membros da banda.

Steve sempre foi direto como uma flecha. Era sua banda, e ele sabia o que queria.

Dave sempre foi um camarada feliz, sem uma preocupação no mundo. Este cara poderia sorrir pela Inglaterra, e obter Ouro só pela tentativa.

Doug era tão alto quanto eu, mas o cara mais descontraído que já conheci. Ele sempre contraía resfriados, mas nunca afetaram seu trabalho.

E claro, havia Paul, meu melhor amigo.

Continua...  
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