Loopy’s World (Parte 3) - Quando Cinco Viraram Oito



PARTE 3 - QUANDO CINCO VIRARAM OITO
Por: Steve Loopy Newhouse // Tradução: Ricardo Lira

Ensaios continuaram semana após semana, de trás pra frente e de frente pra trás até Bromley, por Bow, e eventualmente bateu um déjà vu. Eu me peguei pensando um dia sobre como Paul e eu fizemos praticamente a mesma coisa dezoito meses antes com a Rock Candy. É engraçado perceber como isso te afeta. E aquela velha, velha coisa subiu à cabeça.

Naquela época eu estava trabalhando para uma empresa de linhas de costura em Lammas Road, Leyton (que já não existe mais) especializada em fabricar amarras usadas no meio de cardápios de restaurantes. Paul estava trabalhando no outro lado da Lea Bridge Road, a uns 45 metros de distância, em uma instalação de pulverização de tambores de aço (também há muito extinta).

Tentar arrumar um tempo para nossa empreitada Heavy Metal era quase impossível para ambos, então no meio da semana tínhamos que largar o trabalho e ir direto para o estúdio. Era a única maneira possível de chegarmos a tempo.

Chegou num ponto em que meus superiores finalmente me deixaram trabalhar três dias por semana, o que foi perfeito enquanto a banda tinha atividade regularmente. Então, após seis semanas, foi-me entregue meus cartões e disseram que eu havia concordado em pedir demissão. Eu não tinha assinado nada para confirmar aquilo, mas os peguei assim mesmo. Até porque trabalhar para uma banda de rock era bem mais excitante.



Paul Di'Anno deixou seu emprego cerca de uma semana mais tarde e nós dois surrupiamos o que pudemos para chegar nos ensaios. Ficarei eternamente grato a meus pais por ajudar financeiramente Paul e eu durante este período.

Do modo como os ensaios progrediam, a decisão foi feita para que nos movêssemos para o Hollywood Studios em Clapton, E5. Steve Harris e o restante da banda decidiram que precisávamos progredir para um estúdio maior e com melhor equipamento de som, e quem era eu para reclamar?

Seria um movimento mais caro, no entanto, mas ninguém quis saber. Dentro de mim eu sabia que isso iria funcionar. Tinha uma sensação desde o início de que esta banda se tornaria alguma coisa, mesmo que eu ainda não soubesse direito o quê.

Quem tomava conta do Hollywood Studios era um cara chamado John Edwards, mais conhecido por ter sido o criador, controlador e voz do Metal Mickey (N.T.: Um show de TV da Inglaterra onde um robô com esse nome interagia no lar de uma família) nos anos 80.

Na verdade eu vi o Metal Mickey em um dos barracões do Hollywood Studios durante nossa estadia lá, mas aquilo foi bem mais tarde. Ele não estava sendo usado há anos e ferrugem começou a tomar conta dele. Pobre sujeito.

Tivemos alguns encontros com uns velhos amigos de Steve, como Dave Beasley e Vic Vella, e, dentro de poucas semanas, a patota tinha aumentado pra quatro, com Pete Bryant, um velho amigo de Dave Lights, que veio correndo atrás de guitarras. Nesta altura eu tinha alinhado um certo entendimento com Doug de que bateria parecia ser meu destino, então nos tornamos o primeiro Killer Crew.

Vic era o motorista/o cara do som, Dave Lights (como é conhecido internacionalmente) montava nossas luzes e efeitos no palco, Pete as guitarras/direção, e eu cuidava da bateria, da cerveja e de algumas viadagens.

Após o que parecia ser uma eternidade, provavelmente cerca de nove meses no total, de ensaios em Bow e Clapton, Steve obviamente sentiu que era tempo de soltar a besta e começar a agendar shows.



Nosso primeiro concerto com a nova formação se deu na Bridgehouse, em Canning Town, mas, como eu lembro de muito pouco sobre isso, eu sempre pensei que nosso primeiro tinha sido era no Ruskin Arms. E por uma razão muito boa...



Eu fiquei muito bêbado durante o show no Ruskin Arms, encontrando com amigos que vieram ver que barulheira era aquela, e pais que queriam saber o que nós garotos estávamos fazendo, etc. Steve Harris me descobriu sentado nos degraus, na frente do Ruskin, com minha cabeça em minhas mãos, a ponto de vomitar, e veio dizendo, "Brilhante! E ele deveria ser nosso Gerente de Palco...". 

Foi o meu pior momento. Nunca mais repeti aquilo.

Não me entendam mal. Ainda amo uma bebida, mas há lugar e hora pra isso. Sob as circunstâncias teria sido idiotice beber novamente como daquela vez, enquanto trabalhando para a banda. E eu não abusei mais.

Estar fora de foco e fora da mente, é a maneira mais simples. ISSO acontece e muito. Já disse o suficiente.



Isto também põe um fim sobre a estória de Paul acerca de nosso primeiro concerto ter sido no Cart and Horses, como mencionado em dois livros diferentes: o dele, 'Paul Di'Anno - The Beast' (N.T.: Sem tradução no Brasil), e '30 Anos da Besta' por Paul Stenning.

Primeiro que o Cart and Horses estava sendo renovado na época, e segundo que eles não tinham uma banda tocando ao vivo por lá fazia dois anos. A licença musical do pub havia expirado. Combinado com essa coisa de refazer o espaço, isso nunca teria acontecido.

Continuamos nossa visita regular ao Ruskin e eu estava impressionado no quão rápido formamos um séquito de pessoas. Semana após semana eles continuaram vindo aos shows, e mais e mais a cada vez.



Os shows de Dave Lights estavam ficando mais extravagantes até que ele adicionou o efeito Eddie. Um grande painel preto acendia sequencialmente suas lâmpadas brancas, e uma máscara branca cuspia sangue durante a canção Iron Maiden, coisa que os pagantes adoravam. A voz de Paul estava soando cada vez melhor e a banda se tornando mais coesa também.

Eu disse a meus pais como as coisas estavam indo e eles apareceram numa noite. Lembro de meu velho dizer que ele nunca ouviu uma guitarra falar antes. Ele estava se referindo a Dave Murray.

Na época eu não tinha noção do que estava acontecendo. Podia ver que a banda estava ficando cada vez melhor e eu percebia a multidão se avolumando, mas eu não teria pensado em chamá-los de fãs. Eles eram camaradas, ou parceiros de outros parceiros. Todo mundo se conhecia. Mas eles eram fãs. E muitos deles nos seguiram por todo lugar...

Continua... 
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