Steve Harris: "Nunca nos apoiamos no passado. Olhamos para frente”



Direto de Manchester, na Inglaterra, durante uma passagem de som, Steve Harris, baixista do Iron Maiden, contou ao jornalista Pedro Antunes do jornal O Estado de S. Paulo que a ideia nunca foi fazer de The Book Of Souls um álbum duplo, com canções como Empire of the Clouds, faixa escolhida para encerrar o trabalho, com impressionantes 18 minutos de duração, a mais longa da carreira do grupo. “Não havia motivo para fazermos um disco duplo. Acho que as canções são mais extensas, mesmo. Nunca achei que chegaríamos a fazer um disco duplo. Mas acho que a ideia de se fazer algo assim, agora, é interessante. Não é possível ouvir o álbum como algo casual”, confessa o líder do Iron Maiden.

Autor de sete das 11 canções do disco, Harris explica que a banda entrou no estúdio ainda sem que as composições estivessem prontas. “É assim que gostamos de trabalhar. Foi um processo bem natural de composição. As músicas acabaram se tornando longas demais, mas não nos forçamos a isso. Não analisamos demais o que aconteceu. Apenas gravamos.”

Na indústria fonográfica do século 21, na qual os discos são deixados em segundo plano e o privilégio é dado aos singles e à mídia digital, do streaming e do download, colocar nas prateleiras um álbum duplo, com mais de uma hora e meia de som, é um passo ousado para qualquer banda. Harris, contudo, garante que os fãs do Maiden não se contentam apenas a ouvir material antigo e, por isso, uma nova leva de canções se fazia tão importante. “Nunca nos importamos em como o disco será recebido pela indústria. Sei que algumas pessoas gostam de ouvir uma ou duas músicas de um disco. Mas estamos falando de um trabalho do Maiden e vai precisar de mais tempo para ouvi-lo. Os nossos fãs não julgam o disco dessa forma. Isso é bom”, explica.

A forma de pensar é oposta ao que tem dito recentemente Joe Perry, músico contemporâneo de Harris, guitarrista do Aerosmith, que questiona a validade de bandas tão duradouras como a dele (e o Maiden) ainda lançarem discos novos se os fãs querem os clássicos. “Concordo que as vendas já não são as mesmas”, disse. “Mas nunca nos apoiamos em hits do passado. Isso não se aplica a nós. Olhamos para frente.”

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