Metal Hammer 274: leia entrevista exclusiva com o Iron Maiden

Em mais uma sensacional edição de colecionador, com direito ao Eddie em 3D na capa da revista, a revista inglesa Metal Hammer trouxe uma entrevista exclusiva com os membros do Iron Maiden e revelou detalhes sobre tudo que cercou o lançamento do novo álbum "The Book Of Souls".

Pouco tempo depois de terem finalizado sua ambiciosa obra de arte, baseada na civilização Maia, o Iron Maiden recebeu a notícia que ameaçava interromper a carreira da banda para sempre. Steve, Bruce, Janick, Adrian, Dave e Nicko contaram para a Metal Hammer como eles superaram este episódio de vida e morte.

Por que o céu pode esperar pela maior banda de Heavy Metal do mundo.
Por Don Lawson / Metal Hammer



Tendo conquistado o planeta como se fosse um império, um colosso de muitos membros, por mais de 35 anos, carregado por entusiasmo criativo, dedicação, trabalho duro e uma visão inflexível, o Iron Maiden chega a 2015 com uma reputação invejável e o amor de milhões de fãs, mas também sobrecarregados pelo peso de expectativas assustadoras.

Reconhecidamente, o lançamento de um CD do Iron Maiden é sempre um evento gigantesco. Desta vez, no entanto, o álbum em questão – The Book of Souls, o 16⁰ álbum de estúdio – foi quase ofuscado pelos eventos que aconteceram após as gravações. Em fevereiro deste ano, foi anunciado que o vocalista Bruce Dickinson estava sendo tratado de um tumor cancerígeno na parte de trás de sua língua, e de repente, pela primeira vez na história, a fachada de aço impermeável do Iron Maiden começou a exibir um pequeno sinal de vulnerabilidade. Em se falando de Heavy Metal, os membros do Iron Maiden são imortais. Lendas vivas. Heróis. Mas no final de 2014, eles foram subitamente confrontados com a possibilidade de perder seu vocalista e, como resultado disso, chegar ao fim de suas carreiras com um toque arrepiante de fatalidade. Mas então, é claro, eles são o Iron Maiden; esses caras são feitos de um material muito mais resistente e de maneira nenhuma estão dispostos a encerrar seu papel de banda de Heavy Metal mais adorada do planeta. Com o lançamento de "The Book of Souls" se aproximando, nós conversamos com os seis membros da banda sobre o tumultuado fim do ano passado e a criação do que pode vir a ser o melhor álbum que o Iron Maiden já tenha feito...



"Tive um caroço, na lateral do pescoço, igual quando você tem um resfriado ou gripe realmente forte, e seus gânglios ficam inchados", comenta um Bruce Dickinson que parece confortavelmente saudável, alguns meses após ter recebido a notícia que estava totalmente livre do câncer. "Achei que era só a droga de um vírus, como você sabe. Mas isso não se desenvolveu para um resfriado ou gripe, e eu estava cantando muito bem. Um médico francês foi até o estúdio e deu uma olhada por alto, examinou minha garganta e disse ‘Bom, você precisa de uma Ressonância Magnética disso e de uma Tomografia Computadorizada do tórax e pulmões, e precisamos enfiar uma agulha nisso pra ver o que tem dentro’. Eu fiquei tipo - que merda!" Bruce senta e respira fundo, momentaneamente abalado pela lembrança, mas ainda sorridente pois, como sabemos, sua história teve um final feliz.

"O irônico de tudo isso foi, eu fui pesquisar no Google, Wikipedia e tudo mais", Dickinson continua. "E seis semanas antes de ver o médico, eu já tinha o diagnóstico exato, até qual o tipo de tumor que era. Assim que eu peguei o diagnóstico, eu disse ‘Não vou fazer mais nada, pelo resto da minha vida, até eu me livrar deste negócio. É minha ocupação de tempo integral, agora.’"

O vocalista do Iron Maiden foi diagnosticado com um carcinoma celular escamoso, um tipo de câncer relativamente comum, que felizmente seu oncologista achava facilmente curável, não apenas por seu paciente se encontrar em excelente estado de saúde e consideravelmente mais ativo do que a maioria dos homens com mais de cinquenta anos. Sim, a reputação de Bruce como um headbanger estudado e uma força da natureza impossível de ser contida, faz com que ele aparente ser a pessoa menos provável neste mundo a ser derrubado por uma doença como essa.



"Nenhum de nós sabia", Steve Harris dá de ombros, ainda incomodado pelo azar de seu amigo. "Ele não sabia. Estava cantando de modo fantástico no estúdio. Soando melhor do que nunca, então não havia nenhuma evidência de que havia algum problema em sua garganta, mas, para a surpresa de todos nós, ele fez um exame e o resultado foi que ele tinha um tumor. Foi algo assustador. Levando em conta que ele é o mais jovem, e de longe o mais em forma da banda, isso foi um choque massivo pra ele e para todo mundo ao redor. Mas Bruce é uma pessoa muito positiva, como todos nós sabemos. Ele está cheio de energia e é um cara bem em forma, então ele vai superar isso."

Por mais ridículo que pareça, pelo menos para quem estava do lado de fora, a bem-vinda recuperação de Bruce parecia quase inevitável; sua lendária quantidade de energia o impulsionou por semanas de um tratamento doloroso, íntimo e intrínseco, e, também, em direção às boas notícias de que seu tumor havia desaparecido e que seu prognóstico para o futuro era excelente. Tarefa concluída. Bruce parece ter resistido sua tempestade mergulhando profundamente na ciência de seu tratamento – ele nos brinda com um resumo incrivelmente detalhado de tudo o que ele experimentou, seus olhos brilham com o entusiasmo de um geek – mas, mesmo assim, combater um câncer é um trabalho exaustivo e ele animadamente admite ter lutado com força em vários momentos.

"As últimas duas ou três semanas foram particularmente miseráveis", ele diz. "Eu estava tomando morfina e em uma dieta só de líquidos, e você perde o sentido do paladar completamente. Tudo tem gosto de papelão, massa de modelar ou areia. Eu nunca tinha percebido o quão essencial o paladar é para o apetite até não o ter mais. O que me ajudou nesse período foi gemada! O interior da boca se desintegra por algum tempo... é chamado de mucosite, e não é algo muito agradável. Então, eu não podia falar, porque doía usar a língua, mas podia tomar grandes goles de gemada todos os dias. Você acaba com o metabolismo de um beija-flor durante o tratamento porque você está sendo cozido de dentro pra fora, mas seu corpo também está tentando se curar rapidamente, e isso acelera tudo. Eu acho que uma das razões de você perder peso é essa. É simplesmente porque seu sistema está fazendo um grande esforço e então, eventualmente, tudo isso para e volta ao normal. É fascinante. Sou meu próprio projeto de ciências!"

Voltando no tempo alguns meses, até o outono de 2014, o Maiden esteve nos estúdios Guillaume Tell, em Paris, com seu produtor de longa data, Kevin Shirley, para começar a trabalhar no sucessor do amplamente elogiado "The Final Frontier" de 2010. Voltando a um reduto conhecido, eles estavam bastante animados, após terem completado outra etapa de uma turnê muito importante, que culminou em uma performance onde atiraram com todas as suas armas no sagrado Knebworth, no Sonisphere. Em contraste com alguns de seus colegas de palco, os seis membros do Iron Maiden estavam morrendo de vontade de ir, armados com novas ideias e animados pela possibilidade de fazer música juntos novamente.

"Estar no estúdio em Paris teve uma grande influência para o álbum", afirma o guitarrista Adrian Smith. "Nos sentimos em casa no mesmo instante. Nada mudou – tem até o mesmo carpete! O que assustou é que haviam passado 15 anos desde que estivemos ali, e meio que causou um ataque de pânico, tipo ‘oh, caramba...’, mas assim que começamos, foi ótimo o ambiente. Eu amei estar em Paris naqueles dois meses. Era o final do verão e tudo estava bonito, inspirador por todos os lados. Todo mundo sentiu isso e realmente nos conectamos."

"É um estúdio de gravação apropriado", explica Dave Murray. "É um antigo cinema francês que foi transformado em estúdio, então o ambiente e a vibração são excelentes. É lindamente decorado, com enormes amplificadores, montados nas paredes, e aquela energia antiga e alegre. E era um território familiar, o que ajuda muito."



"A verdade é que, ao chegar ao estúdio, a banda não estava exatamente preparada", revela o produtor Kevin Shirley, "mas o Iron Maiden é um rolo compressor e não é fácil mudar seus planos quando as coisas estão se movendo! As coisas acontecem na vida das pessoas e tornam tudo mais complicado, mas você não pode parar uma força destruidora. Havia um sentimento maravilhoso no estúdio. Todos trouxeram ideias, nós gravamos as músicas quando elas estavam frescas e todos tocavam incrivelmente bem. Estas canções são desafiadoras mas eles mandaram ver. Este é o álbum do Maiden do qual estou mais orgulhoso."

Na verdade, algo especial acontece quando estes seis caras reunem seus talentos. Os quatro álbuns anteriores gravados por esta – indiscutivelmente definitiva – formação foram muito bem recebidos, acrescentando ímpeto no plano da banda de conquistar o planeta. O Maiden desafia consistentemente as leis para bandas veteranas que se aproximam do fim de suas carreiras. Até onde aqueles envolvidos estão cientes, o 16⁰ álbum foi feito com a mesma paixão e intensidade que seus 15 antecessores. "A verdadeira magia é que estávamos tão felizes por estar em estúdio juntos novamente, como crianças em uma loja de doces", comenta o baterista Nicko McBrain. "A essência desta banda está em fazer música juntos. É maravilhoso ter 30 anos nas costas e todos esses concertos incríveis ao redor do mundo, mas ainda é tudo sobre criatividade e fazer uma obra de arte. E é isso o que temos feito."



Há uma simetria bastante amarrada em torno da forma como "The Book of Souls" foi gerado e concebido. Embora seja impossível falar sobre isso sem o anúncio assustador do câncer de Bruce lançar uma sombra, o álbum do Maiden teria gerado muito mais assunto por si mesmo.  Em primeiro lugar, este é o primeiro álbum realmente duplo de estúdio da banda – pontuando uma duração de 92 minutos. Em segundo lugar, é muito óbvio que este é o registro mais aventureiro e épico já feito pelo Maiden. Finalmente, e muito mais significante, The Book of Souls começa e termina com músicas escritas inteiramente por Bruce Dickinson – If Eternity Should Fail, de longe a faixa de abertura mais pesada na história do Maiden, e Empire of the Clouds, um tributo explicito, complexo e audacioso à jornada final do dirigível R101 em 1930... que, em espantosos 18 minutos e 1 segundo, é a faixa mais longa que o Maiden já se comprometeu a gravar. Se algo resume bem os níveis formidáveis de energia de Bruce e o brilho nos olhos ao simples pensamento de embarcar no mais louco dos projetos, essa música é isso.

"Tudo começou quando ganhei um piano em uma rifa!" explica Bruce. "Ha ha! Eu ganhei! Eu ganhei um piano elétrico numa rifa. Eu levei pra casa e comecei a brincar com ele. Foi quando John Lord adoeceu. Nós estávamos falando sobre a possibilidade de trabalharmos em conjunto nessa época, então eu estava experimentando algumas coisas. Infelizmente, John nos deixou, mas eu continuei experimentando no piano. Esta foi a gênese da coisa toda. Eu estava, originalmente, tentando escrever uma música sobre a Primeira Guerra Mundial e um avião triplano, mas aí eu fui à casa de Adrian e nós escrevemos Death or Glory. Esta é uma canção sobre triplanos e a Primeira Guerra Mundial, então já tínhamos feito isso. De repente, pensei ‘Que tal o R101?’... e a ideia foi crescendo e crescendo.

Dezoito minutos de um heavy metal teatral e descontroladamente evocativo que contam a história trágica do R101, Empire... é uma peça milagrosa e destemida, até mesmo para os altos padrões do Maiden. É quase como se Bruce estivesse destinado a ser dessa vez o centro das atenções.

"Eu vi o desenvolvimento de 'Empire' desde o começo", lembra Kevin Shirley. "Nós mapeamos todas as ideias de Bruce e ela cresceu até se transformar neste monstro! A grande surpresa foi o quão teatral ela se tornou. É uma música tão forte! Nada é supérfluo. Eu acho que o Steve estava apreensivo sobre ela, ‘Como vamos fazer isso?’ mas tudo se juntou lindamente no final."

"Ele tinha todos esses pedaços e partes ao piano, como um professor maluco", recorda Steve Harris, que se diverte ao lembrar. "Eu disse, ‘Um dia vai ser como Monty Python; eu vou chegar e você vai estar sentado ao piano pelado, olhando sobre seu ombro, como um doido varrido...’ Ha ha! Estou contente por isso não ter acontecido! Mas quando estávamos gravando, houve momentos em que nós literalmente olhamos uns para os outros pensando ‘O que diabos acontece em seguida?’ Mas isso só adicionou mais elementos. Eu, na verdade, disse a ele ‘Foda-se, você me superou, seu idiota! Está é absolutamente uma obra prima...’ e é mesmo. Empire é quase uma ópera rock. Me lembra de um musical do West End. Mas bem melhor. Ha ha ha!"

"Em tempos onde o pico de atenção das pessoas caiu ao nível mais baixo possível, eu amo que uma banda como a nossa possa criar uma faixa de 18 minutos", comenta o guitarrista Janick Gers. "Você nunca terá certeza de onde está entrando, com o Maiden. Você sabe que vai soar como o Maiden, porque somos nós, mas as possibilidades são infinitas. Você pode perguntar ‘Quão longa pode ser uma faixa?’ Bom, Empire é tão longa quanto o necessário. Não temos medo de fazer coisas assim."

Se algo conseguiu enclausurar o humilde, porém inflexível espírito do Iron Maiden, foi o modo como a banda imediatamente adiou o lançamento de The Book of Souls e qualquer plano de turnê quando o diagnóstico de Bruce veio à tona. Diferente da maioria das bandas veteranas, o Maiden ainda é uma força muito unida, tanto no palco quanto nos bastidores: amigos até o fim e todos 100% comprometidos com a causa. É óbvio, falando com qualquer um deles, quanto amor, respeito e admiração mútua existe entre eles nestes dias. Como resultado, as coisas tendem a correr bem suavemente, no mundo da banda. Mas enquanto os seis membros estão claramente deliciados com a experiência da gravação, The Book of Souls não foi criado sem uma certa turbulência, que trouxe uma pitada de escuridão para as canções.

"Normalmente escolhemos um período de tempo no qual queremos fazer o álbum, nós nos damos um número X de semanas para escreve-lo, e é isso", explica Steve Harris. "Sempre funcionou muito bem antes, mas obviamente você não pode planejar os imprevistos que aparecem. Eu não vou contar a choradeira toda, mas basicamente eu perdi duas pessoas, um velho amigo de escola e um membro da família, bem no período em que deveríamos estar escrevendo o álbum. E quando você está tentando ser criativo, isso é muito difícil. Mas você pode transformar isso em uma coisa positiva. Sendo honesto, este foi um dos períodos mais difíceis da minha vida, mas os rapazes foram realmente ótimos comigo e muito positivos, e realmente me ajudaram a passar por isso. Nós sempre fizemos isso. Todo mundo teve traumas durante esses anos, e sempre ajudamos uns aos outros, e isso faz a banda mais forte. Todo mundo pode passar por momentos difíceis, e se você consegue tirar algo de positivo, como este álbum, no final, então realmente tudo bem."

O momento difícil descrito por Steve, pode ser a causa de o líder do Iron Maiden não ter contribuído tanto quanto o normal, em termos de composição, como ele sempre fez durante toda a história da banda. Mas uma fresta de esperança por trás da nuvem escura que é The Book of Souls mostra que esse é um álbum com esforço colaborativo maior que a maioria, com todos, menos Nicko, recebendo crédito por ter escrito ao menos uma música. Mas além dos menores detalhes, a coisa mais chocante sobre o álbum é o quão coeso, engajado, substancial e, mais do que tudo, emocionante, que ele é. Com melodias enormes, refrãos instantaneamente memoráveis e momentos de abandono das três guitarras, este álbum de 92 minutos voa no que parece ser não mais do que meia hora. Tudo, desde a canção de 13 minutos de Steve, The Red and the Black, através da dose dupla de estilo bombástico de Bruce e Adrian – o primeiro single, Speed of Light, e o já mencionado hino à Primeira Guerra e ao triplano, Death or Glory, borbulham um tipo de vitalidade e exuberância que bandas antigas geralmente não tem mais.



"Sim, é fantástico. Por ser um álbum duplo, ele faz exatamente o que um álbum duplo deveria fazer!" explica Bruce, com um enorme sorriso. "A razão pela qual é um álbum duplo é porque ele tem que ser assim. Rod, inicialmente, estava tipo 'Ah, um álbum duplo é uma dor de cabeça... não podemos fazer como o Guns ‘n’ Roses, Use Your Illusions I e II?' e nós dissemos 'Não, é um álbum duplo!' Como uma ideia, isso é idescritívelmente legal. Ninguém mais faz isso, então é o tipo de coisa que nós devemos fazer. Pelo amor de Deus, nós temos ido nesta direção por décadas, ha ha ha!"

Novamente, há uma simetria estranha em The Book of Souls. A jornada emocional de Steve durante o processo de gravação pode não ter inspirado diretamente algumas das músicas do álbum, mas desde o título até a ameaçadora e sobrenatural capa, através das explorações existenciais de If Eternity Should Fail e The Great Unknown, este é um álbum que revela os contrastes entre a força e a efervescência de seus criadores, enquanto escava profundamente questões eternamente sem resposta da humanidade.

"Conforme você envelhece, começa a pensar mais sobre sua própria mortalidade e este tipo de coisas", revela Steve. "Eu sempre fui intrigado com esse tipo de coisa. Conforme você vai envelhecendo, isso se mostra mais e mais presente. As pessoas estão morrendo e você sabe que já viveu mais anos da vida do que o que tem pela frente. Isso é fato. Você tem que aceitar isso e isso começa a fazer com que você sinta as coisas de modo diferente, sobre o que é ou não importante... provavelmente é o porquê de não discutirmos mais por coisas estúpidas no Maiden! Ha ha!"

Firmemente no caminho da recuperação, Bruce Dickinson é a prova viva de que nunca se deve subestimar a resistência do corpo humano... ou, indo direto ao ponto, a extraordinária capacidade do Iron Maiden de continuar indo em frente, não importando quais bombas, flechas ou explosões sejam arremessadas em seu caminho. E em consonância com a abordagem de sua banda e sua confiável e estoica maneira de fazer música, Bruce está claramente disposto a não ficar amargando seu infortúnio, ou deixar que qualquer aspecto dele venha a ficar em seu caminho.

"A experiência foi uma mudança de vida, sim... mas também não foi!", o vocalista ri. "Você pensa, ‘Essa coisa foi realmente uma dor de cabeça!' Ou uma dor no pescoço, literalmente, no meu caso, e é brilhante poder passar por isso e poder continuar com o resto da sua vida. Minha determinação em ir em frente com meus planos é maior do que nunca!"

Agora, é seguir em frente com os planos e levar The Book of Souls em turnê em 2016 – um objetivo que deve ter acrescentado um motivo a mais para a recuperação de Bruce. Os detalhes do novo show do Maiden ainda estão sendo ajustados, mas o que é óbvio é que The Book of Souls terá uma produção extraordinária no palco, continuando com os mesmos padrões elevados e elogiados que levaram a banda a ganhar o prêmio Silver Cleff Award, da Nordoff Robbins associação de caridade de terapia musical, por sua ‘excepcional contribuição para a música no Reino Unido’, em julho. Excepcional? Nós definitivamente devíamos dizer isso. E também, se cruzarmos os dedos e rezarmos com muita força para os deuses do metal, pode haver um outro conto épico e vitorioso para contar, dentro de um ou três anos. Você apostaria seriamente contra eles?

"Estar com esses caras, fazendo esta música maravilhosa, após todos esses anos, é uma sensação incrível," conclui Nicko. "Ainda temos essa voz incrível, coletivamente, que os fãs do Maiden conhecem e amam, mas também temos esses novos garotos vindo aos nossos shows, também, e quando eles descobrem que temos estado aqui por 35 anos e que temos 16 álbuns de estúdio... bom, é um grande legado, você sabe?"

"Nós fazemos o que queremos fazer, e não há muitas pessoas que podem dizer isso", diz Steve. "Ser pago para fazer seu hobby, de maneira eficaz, durante o tempo que temos... é o melhor emprego do mundo. Fazemos boa música e elas viverão para sempre, não é? Mas o que importa agora é sair e tocar para os fãs mais uma vez."

"Nada vai me impedir de subir no palco", conclui Bruce Dickinson, com uma expressão de desafio no rosto. "Você teria que atirar em mim! E mesmo assim, ainda teriam que arrastar meu cadáver. As pessoas ficam perguntando, ‘Você não se cansa de ter que sair em turnê outra vez?’ Não! Nunca mais eu direi que estou entediado por ter que sair em turnê com o Iron Maiden. Vamos lá, sabe?"

Fonte: Metal Hammer

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