O Iron Maiden revelou quais foram as bandas de abertura mais difíceis de lidar no palco ao longo de suas cinco décadas de estrada. Em entrevista ao jornalista Dave Everley, da revista britânica Metal Hammer, divulgada nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o vocalista Bruce Dickinson e o baixista e fundador Steve Harris deram respostas diferentes: o cantor apontou o Guns N' Roses, enquanto Harris lembrou do Blackfoot.
Para Dickinson, nenhum grupo deu tanto trabalho quanto o Guns N' Roses, que acompanhou o Maiden nos Estados Unidos em 1988, durante a turnê de divulgação de Seventh Son Of A Seventh Son. Na época, a banda de Los Angeles vivia a explosão de seu disco de estreia, e o contraste de estilos, segundo o vocalista, deixava a tarefa ainda mais complicada. Sobre o assunto, Bruce disse:
"Naquele tempo, a banda de abertura mais difícil que tivemos foi o Guns N' Roses, nos Estados Unidos [em 1988]. Eles tinham acabado de lançar o primeiro álbum [Appetite For Destruction, de 1987] e estavam surfando uma enorme onda de popularidade. Eram cheios de angústia e veneno, enquanto o Maiden estava numa fase um pouco mais progressiva. Foi por volta do Seventh Son Of A Seventh Son."
O momento do grupo de Axl Rose e Slash ajuda a entender a dificuldade. Appetite For Destruction recebeu o disco de platina nos Estados Unidos em abril de 1988 e chegou ao primeiro lugar da parada Billboard 200 naquele mesmo ano. Hoje, o álbum soma 18 certificações de platina no país e figura entre os discos mais vendidos de todos os tempos.
Questionado sobre o mesmo tema, Steve Harris escolheu o Blackfoot, veterano do rock sulista norte-americano que dividiu a estrada com o Maiden em 1982, ano de lançamento de The Number Of The Beast, terceiro álbum da banda e o primeiro com Bruce nos vocais. O baixista afirmou:
"Eles continuam sendo uma das melhores bandas que já tocaram antes da gente. Eu sempre digo que o trabalho da banda de abertura é subir ao palco e tentar conquistar o público. Eles precisam ir lá, dar tudo de si e fazer a atração principal suar."
Harris reconheceu, porém, que abrir para o Maiden nem sempre é simples, já que o público da banda costuma ser extremamente fiel aos seus ídolos. Sobre isso, ele comentou: "Já vi isso acontecer algumas vezes e senti pena da banda de abertura. Eles não podem amarelar. O público sente o cheiro do medo."
A entrevista completa com os dois músicos estará na nova edição da Metal Hammer, que chega às bancas do Reino Unido em 25 de junho.
Enquanto isso, o Maiden segue em 2026 com a "Run For Your Lives", turnê que comemora os 50 anos de carreira da banda e chega ao seu segundo ano. A etapa europeia será encerrada em 11 de julho, com apresentação no Eddfest, festival do próprio grupo, realizado em Knebworth House, em Stevenage, na Inglaterra. The Hu, The Darkness, Airbourne, The Almighty e a banda solo do ex-vocalista Blaze Bayley também estão entre as atrações do evento, que terá dois dias.
De agosto a novembro, a turnê passará pelas Américas, pela Ásia e pela Austrália, com encerramento previsto para os dias 24 e 25 de novembro, na K-Arena, em Yokohama, no Japão. Depois disso, a banda fará uma pausa nos palcos em 2027.
No Brasil, o Iron Maiden se apresentará em São Paulo nos dias 25 e 27 de outubro, no Nubank Parque (antigo Allianz Parque), e em Curitiba no dia 28 de outubro, na Arena da Baixada, com abertura do Alter Bridge. A formação atual conta com Bruce Dickinson, Steve Harris, os guitarristas Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers e o baterista Simon Dawson, que assumiu o posto após a aposentadoria de Nicko McBrain das turnês.


