Resenha: Iron Maiden - The Book Of Souls (2015)

Por Igor Soares

E eis que o novo disco do Iron Maiden aparece antes do seu lançamento, em uma conexão entre Teresina, João Pessoa e Cordilheira dos Andes, que só uma mesa de bar com cervejas Trooper revelaria todos os seus segredos e origens. Desde já agradecimentos ao amigo Bruno Trindade, que tornou isso possível. Valeu!



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"The Book Of Souls" começa misterioso, a introdução da faixa de abertura IF ETERNITY SHOULD FAIL de cara nos remete a atmosfera maia que inspira a arte do disco. Impossível não imaginar Bruce em meio às ruínas mexicanas enquanto declama os versos iniciais. Mas o tom sombrio dos primeiros 90 segundos de introdução logo se encerra com a explosão do galope inconfundível de Steve Harris & Cia. Aqui temos um Iron Maiden com uma sonoridade mais alegre, pra cima, dando o tom do clima que se estende por quase todo o disco, o que de cara distancia "The Book Of Souls" da apatia dos últimos dois álbuns. E como é bom ouvir a banda soando mais direta, sendo o Maiden que todos querem ouvir. Os 8 minutos dessa faixa são apenas um detalhe, pois passam voando. Excelente faixa de abertura do disco e será uma excelente música de abertura para os shows da próxima turnê.

SPEED OF LIGHT, o primeiro single, continua o clima pra cima da primeira faixa. Já conhecida dos fãs, agradou a grande maioria dos seguidores da banda, justamente por ser direta, coisa que o Iron Maiden às vezes não consegue fazer.

A introdução de baixo em THE GREAT UNKNOW é a mesma que já se transformou em uma marca registrada das composições de Steve Harris. Talvez aqui, na terceira faixa, já fique evidente a grande diferença no estilo imposto por cada um dos compositores da banda. As duas primeiras músicas poderiam estar perfeitamente em um álbum solo de Bruce Dickinson, já essa seria apenas mais uma música de qualquer disco gravado pelo Iron Maiden nos últimos 15 anos. Mais do mesmo.



THE RED AND THE BLACK é a música mais clichê do disco e isso é um elogio. Apesar da introdução flamenca, aqui todos os elementos que fazem uma música do Iron Maiden, ser uma música do Iron Maiden, se encontram. Desde o coro de "Ôooooo" até os solinhos celtas e "cantáveis" do trio de guitarristas. Porém, infelizmente aqui o Iron Maiden pecou pelo excesso, se cortasse a música pela metade teríamos mais um clássico. Mesmo com um enorme porém, de alguns minutos, essa é sem dúvida uma das faixas mais marcantes.

Em WHEN THE RIVER RUNS DEEP é engraçado perceber como há sempre um Deja Vu nas músicas do Iron Maiden, nesta faixa em particular algo após a introdução me lembrou a fase Blaze Bayley. Ok, mas não leve isso a sério demais, é apenas mais uma música simples e direta.

A faixa título THE BOOK OF SOULS é simplesmente épica e eu poderia encerrar sua descrição aqui, mas é impossível não falar sobre a belíssima introdução acústica e sua gigantesca batalha de solos, bem intercalados e sem em momento algum soar cansativos, os solos de guitarra são um show a parte. E não, o refrão dessa música não repete o seu título infinitamente como muitos imaginaram (risos).



Encerrada a primeira parte do álbum, é hora de apertar o play no Disco 2, DEATH OR GLORY continua com o clima pra cima de "The Book Of Souls" e isso é algo que deve ser ressaltado no álbum, aqui não há espaço para a apatia progressiva de alguns momentos do passado recente do Maiden. Aqui sim, temos a fórmula manjada do título no refrão, no formato que todos nós já conhecemos. Mais uma boa faixa, mas nada comparado com o que está por vir na sequência.

Não, o Iron Maiden não gravou uma "Wasted Years" Parte 2, mas SHADOWS OF THE VALEY é tão descarada em sua intro, que é impossível não comparar a mesma com o clássico de 1986. Aqui temos certamente uma das melhores músicas do disco. Sensacional do começo ao fim. Instrumental empolgante, simples e direta como o Maiden deve ser.

A tão comentada TEARS OF A CLOWN que fala sobre o drama do ator Robin Williams, não chega a empolgar. A faixa tem uma levada mais despojada, que não lembra nada que a banda tenha feito antes. Uma boa música, mas talvez a expectativa criada em torno da repercussão da sua temática tenha frustrado um pouco quem esperava uma canção, digamos, mais emocionante.

A penúltima faixa, THE MAN OF SORROWS também não empolga. Aqui temos um ponto baixo do disco, uma balada triste que soa um pouco deslocada em um álbum com sonoridade tão alto astral. Certamente essa é daquelas que você terá vontade de pular, pois o "grand finale" vem logo a seguir.

EMPIRE OF THE CLOUDS é completamente diferente de tudo que o Iron Maiden já gravou. A introdução com Bruce Dickinson ao piano, cordas e tudo mais, emociona e muito já na primeira audição. A canção mais longa que o Iron Maiden já gravou, é de uma beleza indescritível em cada um dos seus 18 minutos. O início mais calmo e melancólico vai evoluindo para algo cada vez maior a medida que a história do dirigível R101 se aproxima de seu trágico desfecho, guardadas as devidas proporções, o formato é bem parecido com a faixa "When The Wild Wind Blows" do álbum The Final Frontier. Se o começo assusta pela singularidade orquestral incomum, o desenrolar da música nos traz o Iron Maiden de sempre, com o trio de guitarras afiadíssimo e as cavalgadas de sempre. Um clássico absoluto e sim, uma obra de arte!

Não ouça "The Book Of Souls" esperando um novo "A Matter of Life and Death" muito menos um novo "The Final Frontier". É sim o mesmo Iron Maiden dos últimos 15 anos, mas esse disco soa diferente, não como nos anos dourados, mas como um novo Iron Maiden que evoluiu a partir de si mesmo.

NOTA: 9

Disco 1
1. If Eternity Should Fail (Dickinson) 8:28
2. Speed Of Light (Smith/ Dickinson) 5:01
3. The Great Unknown (Smith/ Harris) 6:37
4. The Red And The Black (Harris) 13:33
5. When The River Runs Deep (Smith/ Harris) 5:52
6. The Book Of Souls (Gers/ Harris) 10:27

Disco 2
7. Death Or Glory (Smith/ Dickinson) 5:13
8. Shadows Of The Valley (Gers/ Harris) 7:32
9. Tears Of A Clown (Smith/ Harris) 4:59
10. The Man Of Sorrows (Murray/ Harris) 6:28
11. Empire Of The Clouds (Dickinson) 18:01




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