Noisecreep: Entrevista com Steve Harris

O site Noisecreep conduziu uma entrevista com o baixista e líder do Iron Maiden, Steve Harris, que falou sobre “The Final Frontier”, novo álbum da banda, sobre ficção científica e muito mais. Confira a tradução da entrevista feita pelo Imprensa Rocker.

"Se o Iron Maiden nutriu algum pensamento sobre mandar seu mascote zumbí Eddie de volta ao túmulo após o lançamento de seu 15º álbum de estúdio, “The Final Frontier”, eles provavelmente reconsideraram a idéia, tendo em vista os recentes shows esgotados e o sucesso do novo trabalho nas paradas, que entrou em 4º no top 200 da Billboard nesta semana.

“As pessoas pensarão que este é o nosso ultimo álbum, eu acho, porque a banda tem uma longa carreira, e quem sabe quando iremos parar?”, disse o baixista e compositor Steve Harris. “Mas não sentimos que é a hora ainda”.

Um pouco antes do lançamento do álbum na América do Norte , Harris falou sobre a emoção da espontaneidade, seu interesse por ficção científica, o vídeo deslumbrante da faixa título, sua afinidade por tecnologia e o motivo do Maiden não tocar, provavelmente, o “The Final Frontier” na íntegra num futuro próximo.

“The Final Frontier” é um avanço em comparação com o “A Matter of Life and Death”. Ele é mais pesado e mais progressivo e, ainda assim, está cheio de sessões melódicas memoráveis. Foi um desafio criar isto?
Na verdade, não. Foi bem divertido. Nós escrevemos o álbum em Paris quando estava chovendo torrencialmente e fazia muito frio, então não queríamos nem ao menos sair na rua, e nos focamos no que estávamos fazendo. Então gravamos nas Bahamas, o que não fazíamos desde 1986, o que foi bom também.

Para o Iron Maiden, quatro anos é muito tempo de intervalo entre o lançamento de álbuns. Vocês estavam com a cabeça em ordem para fazer este?
Sim, todos nos sentimos bem. Nós excursionamos por um tempo para promover o último disco, e fizemos o filme “Flight 666” também, então o tempo passou rápido. Tiramos um tempo de folga com nossas famílias, e antes que percebêssemos era hora de fazer um novo álbum. E o fato de estarmos todos na mesma sala também manteve a vibração forte. Kevin Shirley (Nota do tradutor: Produtor do álbum) colocou todo o equipamento numa sala separada da nossa, e tivemos um incrível sistema de headphones. Pela primeira vez, isto fez uma grande diferença, e pudemos estar todos na mesma sala, o que significou uma melhor comunicação, o que foi divertido.

Vocês gravaram ao vivo todo o álbum?
Foi bem ao vivo. Funcionou muito bem, porque podíamos ver o outro enquanto tocávamos, e funcionou bem. Definitivamente iremos gravar desta maneira novamente. Não houve faixas guia nem nada. Fizemos as canções ao vivo, e então acrescentamos algumas poucas coisas. Para algumas canções, fizemos mais takes do que outras, mas também fizemos umas faixas em um ou dois takes, o que ajudou a manter as coisas soando como se fossem novidade.

Vocês pretendiam escrever um álbum tão expansivo e progressivo?
Nós apenas fizemos o que fizemos. Algumas das canções são bem progressivas, especialmente as que estão no fim do álbum. É estranho, porque se você falar de uma música, ela não representa o que está no resto do disco. Ele é bem variado, o que eu acho que é bom. É uma das coisas que fazem o álbum agradável para mim.

A abertura de “Satellite 15… The Final Frontier” tem uma vibração atmosférica e cinematográfica que estabelece um ótimo clima para o resto do álbum.
A parte do começo foi basicamente idéia do Adrian, e para mim realmente teve um clima de trilha sonora de filmes. É bem dramática, bem ficção científica e apenas seguimos a partir daí, na verdade. Nós juntamos tudo e fomos para a segunda parte da música, e soou muito bom. Eu estava realmente animado com ela quando juntamos as partes, e Adrian estava meio surpreso com o que eu havia feito, porque ele não havia pensado ela daquele jeito. Mas eu estava muito animado, porque ela basicamente nos deu tudo. Nos deu uma introdução, estabeleceu o clima do álbum e também nos deu o imaginário no qual trabalhar.

Vocês lançaram um vídeo matador, cheio de efeitos especiais para esta canção. Você sempre soube que a faixa título iria render o primeiro vídeo?
Uma vez que tínhamos a segunda parte da canção, sabíamos que ela seria um bom… Bem, não um single, porque não temos mais singles, mas sabíamos que daria uma boa canção para promover. Então tivemos algumas idéias e ficamos muito, muito satisfeitos com o vídeo. A empresa “Darkside Films”, que produziu o vídeo, fez um trabalho muito bom.

De quem foi a idéia de trabalhar com a “Darkside Films”?
Foi minha, porque já os conhecia. Eles fizeram a interface para o DVD “Visions of The Beast”, que saiu em 2003. Aquele trabalho ficou muito bom, mas desde então eles já fizeram outras coisas realmente interessantes. Apenas sabia que eles seriam uma ótima escolha e sabia do que eles eram capazes. E o chefe de lá, Andy Bishop, eu o conhecia pessoalmente também, o que tornou uma escolha fácil.

Há um tema em “The Final Frontier”?
Bem, não é um álbum conceitual, mas como muitos de nossos discos, nós não percebemos enquanto estamos fazendo, mas há tópicos em comum. Foi como quando fizemos “Fear of The Dark”, em 1992. Parece que havia a palavra “fear” sendo mencionada no álbum algumas vezes. Eu apenas acho que quando você faz um álbum, seja lá qual linha de pensamento você usa, parece que sempre há algo que amarra tudo de algum jeito.

A arte da capa, com Eddie sendo um alien que encontra astronautas aliens, é ótima. Você quis que o álbum tivesse um clima de ficção científica?
Yeah, o tema “espaço” está lá na arte, mas liricamente há todo tipo de coisa acontecendo. Cada canção conta uma pequena estória individual, de verdade, como sempre acontece no nosso material, tirando o “Seventh Son of a Seventh Son”, que foi um álbum conceitual. Todos os outros discos são pequenas estórias.

“Space, the final frontier” é, logicamente, uma frase na introdução da série de TV “Star Trek”. Vocês são fãs da série?
Não diria que eu era um fanático, mas sempre gostei de “Star Trek”. Não acho que nenhum de nós seja fanático, mas todos gostamos da série. Pessoalmente eu prefiro mais coisas do tipo “Senhor dos Anéis”, mas também gosto de “Star Wars” e outros filmes de ficção científica também – qualquer coisa que seja excitante e que te leve numa espécie de jornada.

O título carrega algum tipo de significado?
Foi idéia de Bruce. Ele tinha o título mesmo antes de começarmos o álbum. E quando funcionou na primeira música, eu pensei, “bem isto cabe como uma luva”. E nos deu um pouco de direção. Suponho que ele estava sendo meio sarcástico – dando a idéia de que este poderia ser nosso último álbum – mas todos achamos que era engraçado.

Qual foi o maior desafio que vocês enfrentarem ao fazer “The Final Fontier”?
Compor é sempre a parte mais difícil. Gravar é uma coisa meio acadêmica em certo grau. Nós abordamos “When The Wild Wind Blows” de uma forma um pouco diferente. Basicamente, eu queria tentar uma coisa na qual os caras não sabiam muito o que iriam tocar, até um pouco antes de fazermos. Apenas aprendemos diferentes partes, e então as tocávamos e víamos até onde a gente ia, ou quantas partes nós tínhamos. Ninguém sabia em qual ordem estas partes seriam tocadas, e ninguém exceto eu sabia ate onde levá-la. Então apenas achei que seria legal brincar com um pouco de espontaneidade. Nós conseguimos takes realmente interessantes desta forma.

Como você abordou seus companheiros de banda com esta idéia?
Bem, eu disse aos caras, “espero que vocês não se importem em satisfazer esta vontade, porque eu quero tentar uma coisa diferente”. E eles ficaram, “mmm, ok, isto soa sinistro, mas tudo bem”. E então fizemos e funcionou muito bem, o que deixou todos satisfeitos.

Qual a diferença entre trabalhar num álbum hoje, comparando com o que foi em “The Number of The Beast” ou “Piece of Mind”?
Estamos mais sábios sobre as formas de se gravar, suponho. Eu sou muito mais sábio e tenho mais confiança quando estamos no estúdio agora. Eu sei mais o que eu quero e o que fazer para conseguir, o que não acontecia naquela época. Apenas estamos mais experientes. Se até hoje não soubéssemos o que estamos fazendo, então nunca saberíamos.

O que você acha da forma como a tecnologia se desenvolveu desde os anos 80?
Eu amo a tecnologia que está aí nos dias de hoje. Eu acho incrível o que você pode fazer atualmente. E é incrível que você possa inserir tanta informação num pequeno disco rígido e carregá-lo por aí. Antigamente tínhamos que nos preocupar em carregar todos aqueles rolos de fita. Era um pesadelo, de verdade, em vários aspectos. E se você quisesse cortar algo, tinha que fazer a mão, com uma lamina. Era assustador.

Na turnê de “The Final Frontier”, vocês têm tocado uma grande quantidade de músicas dos últimos três discos, além de algumas canções novas. Vocês não estão tocando muitas músicas escritas antes do “Somewhere in Time”.
Bem, nós tocamos muitas das coisas antigas na última turnê, então apenas gostamos de misturar um pouco. E na turnê anterior à “Somewhere Back in Tour”, fizemos o “A Matter of Life and Death” na íntegra. Então gostamos de manter a novidade para os fãs e para nós. Sempre haverão pessoas reclamando, não importa o que você faça, mas apenas fazemos o que achamos certo.

Você gostaria de tocar o “The Final Frontier” inteiro?
Não sei. Acho que decidiremos isto quanto chegarmos aos ensaios, mas duvido que faremos isto novamente. Fizemos uma vez e foi ótimo, mas não tenho certeza se é, necessariamente, a coisa certa a se fazer novamente. Foi ótimo fazer da primeira vez, mas você só pode fazê-lo com um álbum que seja apropriado para este tipo de performance. Sem contar que outras pessoas têm feito este tipo de coisa – incluindo Megadeth, Testament e Slayer – então talvez não seja uma coisa boa para se fazer agora. Nós sempre gostamos de fazer nosso próprio lance, e não pensar no que está acontecendo ao nosso redor.

Fonte: Noisecreep
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