Church Times: Igreja deve aprender com o Heavy Metal



Aqui está uma citação que você jamais ia pensar encontrar numa revista de conteúdo religioso:
"O Metal não tem medo da escuridão humana. Ele convoca a Igreja a descobrir uma teologia libertadora das trevas: trevas não entendida como algo negativo, mas como um lugar de possibilidades."

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O texto foi publicado por Rachel Rev Mann na revista Church Times, que diz que os anglicanos britânicos têm muito a aprender com o Heavy Metal.

Por Martin Beckford 
Telegraph.co.uk

A reverenda Mann alega que a forma amaldiçoada de música demonstra a "teologia libertadora das trevas", permitindo que seus fãs com tatuagens e piercings sejam mais "relaxados e divertidos" ao reconhecer o pior da natureza humana.

Ela diz que, em contraste, os carolas podem parecer sinceros demais e se levam a sério demais. A pastora admite que muitos ficarão "preocupados" com as letras do metal louvando Satã e zombando da cristandade, mas insiste que é apenas uma forma de "representar um papel”. Mann, que é a pastora responsável pela igreja de St Nicholas, em Burnage, escreveu na revista Church Times desta semana:

“Desde que o Black Sabbath o criou em 1969 usando o som dissonante do 'acorde do demônio' medieval, o heavy metal é considerado burro, crasso e, às vezes, satânico, uma música dificilmente adequada para debate inteligente, quanto mais para a reflexão teológica. Mesmo assim, como uma pastora quanto como uma musicista e fã de metal, acredito que a Igreja, especialmente neste momento difícil, tenha uma lição séria de evangelho para aprender com esta música mais soturna e pesada.” - Rachel Rev Mann - Church Times

 Mann diz que as músicas do heavy metal, caracterizadas por sons de guitarra distorcidos, batidas "intensas e vocais musculares, não têm medo de lidar com morte, violência e destruição”. Seus fãs “predominantemente homens e brancos geralmente gostam de tatuagens e piercings, mas são graciosos, receptivos e gentis”.

“A disposição da música em lidar com assuntos niilistas e, às vezes, extremamente desagradáveis, parece oferecer a seus fãs um espaço para aceitar os outros de uma forma que envergonha muitos cristãos. A recusa do metal em repreender as verdades cruas e violentas da natureza humana liberta seus fãs para serem pessoas mais relaxadas e divertidas”. Ela alega, ainda, que “o metal não tem medo da obscuridade humana” e, embora alguns cristãos tenham o mesmo destemor, “muitos ainda estão por descobrir seu potencial como um local de integração”.

Mann cita letras da famosa banda de thrash metal Slayer, que descrevem o cristianismo como um "aborto" e afirmam: “Prefiro o diabo sempre, viva Satã.” No entanto, ela alega: “Uma boa parte da fascinação do metal por Satã ou o mal é uma representação de papéis, orientada por um desejo de chocar. “O metal convida o cristianismo a ter menos medo da loucura e do ridículo.”

Ela diz que os festivais de metal como Sonisphere, onde ela viu o Iron Maiden tocar no mês passado, são versões modernas da Feast of Fools (algo como "festa dos tolos") realizada na Inglaterra na Idade Média, onde “excesso e anarquia” eram permitidos por um dia. Mann afirma que se preocupa que os anglicanos tenham tornado sua fé “razoável e organizada demais” em vez de apaixonada. “Não estou sugerindo que, como cristãos, todos nos desviamos do humor, mas estamos inclinados a nos levar a sério demais mesmo quando estamos nos divertindo.”

Houve bandas de heavy metal cristão, como a americana Stryper, dos anos 80, e a mais recente o Evanescence, mas poucas conquistam muito sucesso de crítica ou de mídia. Por sua vez, muitos dos maiores artistas do heavy metal utilizam imagens anticristãs ou satânicas em suas letras e capas de álbuns. Nos anos 90, seguidores da cena “black metal” da Noruega foram ainda mais longe, queimando dezenas de igrejas...

Leia o artigo na íntegra (em inglês) - Churchtimes.co.uk
Tradução: Ligia Fonseca - Whiplash.Net
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