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Nicko McBrain revela uso de LSD e heroína em entrevista sobre autobiografia

Foto:John McMurtrie

O ex-baterista do Iron Maiden Nicko McBrain revelou que experimentou LSD ainda adolescente e que, anos depois, chegou a usar heroína. As declarações foram dadas em entrevista à revista britânica Kerrang! para divulgar Hello Boys And Girls!, autobiografia do músico que será lançada em 22 de outubro pela Harper NonFiction.

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Por: George Garner / Kerrang!

Quando a Kerrang! conversou com a lenda viva Nicko McBrain no início deste ano, ele nos deu seu veredito sobre o novo documentário do Iron Maiden, Burning Ambition — um filme excelente que celebrou 50 anos de majestade no metal.

Como ele nos contou, o filme o levou às lágrimas no cinema enquanto refletia sobre seus primeiros dias, a composição de álbuns clássicos, as turnês atrás da Cortina de Ferro e até o AVC que, no fim das contas, o forçou a se afastar das funções ativas. Ah, e a vez em que apareceu no The Sooty Show. Ele tinha, no entanto, uma ressalva.

“A única coisa que critiquei foi que, quando o Maiden trocou Clive Burr na bateria por mim, eles não deram tanta importância para a minha chegada”, riu ele. “Eu quero todos os holofotes!”. Com isso em mente, ele decidiu escrever sua própria autobiografia, batizada de Hello Boys And Girls!. 

E então, Nicko: o seu próprio livro finalmente lhe dá a quantidade de holofotes que você tanto desejava?

“Ah, um pouquinho!”, diz o extraordinário baterista à K! direto de sua casa na Flórida, vestindo um roupão preto com a palavra Nicko bordada, nada menos. Fruto de 15 anos de trabalho, a autobiografia provavelmente surpreenderá o público pelo nível de franqueza. Hello Boys And Girls! é uma loucura divertida. Além de inúmeras referências a si mesmo como “o cara mais bonito do Maiden”, a obra documenta a magia de estúdio, aventuras de turnê, drogas, conflitos, fé, perdão, família e morte. Sem falar no AVC e no momento em que teve que decidir se arriscaria a vida para testar um novo medicamento que ajudasse em sua recuperação.

“O médico disse: ‘Você pode morrer, a taxa de mortalidade é de 7% a 9%’”, ele relembra. “Eu respondi: ‘Bom, tem que ser um ou outro — afinal, é sete ou nove?!’”

Sendo o sujeito mais bem-humorado e debochado que existe, ele confidencia que ainda não leu os livros escritos pelos outros integrantes do Maiden.

“Não li o livro do Bruce porque não queria ser influenciado pelo dele”, explica. “E o livro do Adrian é sobre a porcaria de pescaria, pelo amor de Deus!”

Ele sabia, no entanto, exatamente como queria que o seu fosse: alternando entre momentos engraçados e sinceros, é uma carta de amor aos seus ex-companheiros de banda e à equipe, escrita com afeto, apreço, reverência e muitas piadas. O tom é tão inconfundivelmente Nicko que parece mais tomar uma cerveja com ele do que sentar para ler uma biografia convencional. E esse era o objetivo.

“Eu queria que este livro retratasse a minha essência”, afirma. “É como se, ao ler um capítulo, você quase pudesse me ouvir contando as histórias para você.”

De fato, Nicko tem uma vida inteira de memórias, lições e piadas na manga. A seguir, ele compartilha algumas delas conosco…

Sua primeira bateria foi um tanto nada convencional

“Facas de cozinha foram minhas primeiras baquetas. Ainda consigo vê-las batendo contra o fogão depois que vi Joe Morello [baterista do Dave Brubeck Quartet] tocar na TV. Lasquei todo o esmalte, mas não me importei, continuei tocando. Minha mãe disse ao meu pai: ‘Dê uma salva de palmas para ele!’. Mais tarde, em 1992, abordei Joe na [feira de música] NAMM e disse: ‘Minha mãe quer ter uma palavrinha com você — comecei a tocar bateria por sua causa e destruí o fogão dela!’. Ele deu uma gargalhada daquelas. No meu último show com o Maiden, deveríamos ter colocado um fogão no palco, já que fiquei sozinho ali no final!”

Ele poderia facilmente ter sido mais uma vítima dos excessos do rock’n’roll

“Mesmo quando tínhamos apenas 14 ou 15 anos, meu colega de escola Julian e eu saíamos numa manhã de sábado, fumávamos um baseado, tomávamos meio ácido e depois íamos à farmácia Boots comprar um frasco de Phensedyl [xarope para tosse], que continha morfina. A gente virava meio frasco e depois descia até o pub para tentar a sorte de conseguir um pint. Certa vez, eu estava descendo a rua e juro por Deus que vi um elefante. Falei para o Julian: ‘Que porra aquele elefante está fazendo andando na rua?’. Ele respondeu: ‘Você não está vendo que é o ônibus número 29?’ ou algo do tipo. Eu estava alucinando.

Eu experimentei LSD e, mais tarde, foi a heroína. Felizmente, o bom Deus me abençoou com uma genética que fez com que eu não ficasse dependente. Consegui parar e não tive sintomas graves de abstinência. Mas também perdi meu querido amigo Phil Lynott [do Thin Lizzy] para a heroína. Pensei comigo mesmo: ‘Este livro precisa contar a história da minha vida, tanto os momentos bons quanto os ruins’. Se pessoas estiverem lutando contra o vício, podem se inspirar ao ler a minha história. É isso o que espero que alguém tire dessa parte específica da minha trajetória.”

Steve Harris 1 – Nicko McBrain 0

“Entrar no Maiden foi como encontrar o meu lugar no mundo. Finalmente encontrei quatro caras com a mesma mentalidade, tocando por pura paixão. Mas ainda me lembro de quando o ’Arry [Steve Harris] se virou e disse: ‘Certo, vamos abrir o repertório com Where Eagles Dare’. Eu retruquei: ‘Cara, é a minha primeira turnê com vocês e você quer que eu toque a porra de Where Eagles Dare logo de cara?! Tá de brincadeira? Podemos colocar essa mais para a frente, para eu já estar aquecido?’. Ele simplesmente respondeu: ‘Não, você é o garoto novo, temos que exibir você’.”

Ele pediu demissão do Iron Maiden algumas vezes (mas ninguém levou a sério)

“Uma delas foi quando errei a introdução de Flight Of Icarus no Hammersmith Odeon. Foi uma gafe terrível — dei a contagem e fiquei tocando sozinho, com os caras me olhando tipo: ‘Que porra você está fazendo?’. Eu estava na banda havia apenas um ano. Depois do show, pensei em pedir as contas antes de ser demitido — melhor sair na frente! Fui ao camarim e disse: ‘Estou saindo!’. O ’Arry respondeu: ‘Você o quê? Não vai não!’. Todos já estavam rindo da minha cara, até que o Martin Birch [produtor do Iron Maiden] entrou e soltou: ‘Que porra foi aquela?!’.”

Sobre a vez em que Bruce Dickinson gravou escondido a discussão de Nicko com Steve Harris no backstage…

“Na verdade, quase saí do Maiden umas cinco vezes! Outra ocasião foi durante uma discussão ridícula, quando o Bruce me deu um soco depois de eu ter pisoteado a fita cassete em que ele gravava a briga [mas a fita não quebrou]. Ele me deixou sem ar, pegou a fita e saiu correndo. Pensei: ‘Vou embora! Mas antes, vou cair na porrada com ele’. Minha intenção era confrontar o Bruce com violência e agressividade. Fui até o corredor, entrei no lounge, ele levantou a fita e disse: ‘Nick, me desculpe, eu esqueci que a letra de Powerslave [versão demo ainda não gravada] também está nessa fita’. Fiquei puto da vida com ele, mas aí ele se desculpou!

Mais tarde, durante as gravações do Powerslave, o Bruce comentou que ainda guardava a gravação daquela discussão. Nós simplesmente caímos na gargalhada ao ouvir aquilo de novo. Digo, a gente não acreditava na quantidade de palavrões, devia ter uns 40 por minuto. ‘Foda-se isso!’, ‘Vá se foder!’. Era um palavrão atrás do outro. Enquanto a gente rolava de rir, Steve sugeriu: ‘Deveríamos lançar isso no lado B de 2 Minutes To Midnight’. Essa foi a ideia por trás de Mission From ’Arry; queríamos mostrar aos fãs o que acontecia nos bastidores.”

A vez em que ele destruiu um camarim em San Antonio

“Eu era como um avô postiço para o Blaze Bayley [vocalista do Maiden nos anos 1990]. Éramos muito próximos, mas ele sofreu bastante durante a turnê do Virtual XI, e as coisas foram se acumulando. Fiquei muito frustrado. Quando tocamos em San Antonio, o público jogava camisetas no palco e ia embora, e eu quebrei o camarim inteiro. Fiquei decepcionado demais com o desempenho do Blaze naquela noite. Não fiz isso na frente de todo mundo, mas quebrei o camarim todo. Quando Dickie Bell [gerente de produção do Iron Maiden] apareceu na porta, achei que levaria uma bronca histórica. Ele cruzou os braços e disse: ‘Estou surpreso por você ter demorado tanto para fazer isso’.”

Às vezes compensa ignorar os conselhos do próprio pai

“Meu pai certa vez me disse: ‘Se alguém manchar o nome McBrain uma vez, nunca dê uma segunda chance’. Foi essa frase que repeti para o Steve quando discutíamos o retorno do Bruce [em 1999]. E o Steve respondeu: ‘É, eu entendo como você se sente. Mas será que podemos confiar que ele não vai pular fora de novo? Conforme os anos passarem, será que ele vai desanimar como antes e querer cair fora?’. Mas logo após citar meu pai, completei dizendo que não poderia concordar com o que ele dizia. Achei que ele estava errado. É preciso dar uma segunda chance às pessoas. É preciso dar a outra face. Falei para o Steve que acredito no perdão e perguntei: ‘Será que não deveríamos simplesmente enterrar o machado de guerra e seguir em frente?’”

O álbum favorito dele do Iron Maiden pode te surpreender

“Sinceramente, tenho que ficar com A Matter Of Life And Death. Eu amo The Book Of Souls — a faixa-título em especial, além de The Red And The Black e Empire Of The Clouds. E tem o Senjutsu também, caramba! Mas ainda acho que é o A Matter Of Life And Death, por razões óbvias. Afinal de contas, fizemos uma turnê inteira tocando o disco de ponta a ponta!”

Ele descobriu que Ozzy Osbourne salvou sua vida décadas após o ocorrido

“Ozzy e eu participamos de um evento beneficente em 2005 e comentei: ‘Lembra daquela vez em que você festejou comigo e com o Streetwalkers?’. Tínhamos feito alguns shows com o Black Sabbath e, no retorno para casa, pegamos um navio. Ele estava tão doidão [naquela noite de turnê] que tirava pílulas do bolso e elas saíam caindo pelo chão. Ele respondeu: ‘Caramba, lembro sim! Eu estava usando um sobretudo comprido, com estimulantes num bolso e calmantes no outro. Eu lembro disso, Nick, mas você lembra de eu ter salvado a sua vida?’. Senti um calafrio na espinha. O Ozzy me contou que, na volta de Calais, o mar estava agitado e eu estava tão alterado na parte de trás da balsa que estava prestes a cair pela amurada. ‘Eu te segurei e te puxei de volta’, disse Ozzy. ‘Eu salvei a sua vida naquela noite.’ Eu não me lembro de porra nenhuma daquilo, mas pensei que não era história inventada, até porque ele se lembrava de quando entrou perguntando: ‘Quer acelerar ou desacelerar?’. Tinha que ser verdade. Eu devo minha vida ao Ozzy.”

Espere um caixão um pouco… diferente para Nicko

“Não quero ser cremado; sempre insisti em ser enterrado em um caixão feito com os tambores da minha bateria — seria o caixão com o formato mais estranho do mundo! Minha esposa quer ser cremada, então talvez tenhamos um pequeno mausoléu com uma urna em cima e eu descansando embaixo. Se na lápide estará gravado ‘Nicko McBrain – o integrante mais bonito do Iron Maiden’? Bom, você está se esquecendo de outra expressão possível: ‘O baterista está sempre certo!’”

Hello Boys And Girls! será lançado em capa dura, e-book e audiolivro em 22 de outubro pela Harper Non Fiction. 

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