Adrian Smith não queria voltar em 1999 e achava maluquice o Iron Maiden com três guitarras


Adrian Smith revelou, em entrevista ao podcast "Talk Is Jericho" transcrita pelo Ultimate Guitar e traduzida pelo Whiplash.Net, que, inicialmente, não queria ter retornado ao Iron Maiden em 1999. O guitarrista também falou sobre a torcida do Vasco, a paixão dos fãs sul-americanos e problemas com caçadores profissionais de autógrafos.

A mudança na formação do Iron Maiden em 1999 deveria ter representado apenas a saída do vocalista Blaze Bayley. O guitarrista que substituía Adrian Smith, Janick Gers, foi mantido - e iniciava-se, assim, a "era dos 3 guitarristas" do Iron Maiden, que causou receio em Smith, mas acabou dando certo.

O guitarrista comentou que, atualmente, a ideia que ele tem do Iron Maiden é bem mais clara do que tinha nos anos 1980. "Fiquei fora da banda por 9 anos, então, obtive um ponto de vista externo. Nos anos 1980, eram apenas álbuns-turnês, álbuns-turnês, sem vida fora da banda, então, era difícil ter alguma perspectiva", afirmou Adrian.

Smith relembrou que estava tocando na banda solo de Bruce Dickinson antes do convite para voltar ao Iron Maiden. "Eu gostei muito do que Bruce estava fazendo e contribuí com algumas músicas, ficando ali pelos próximos 3, 4 ou 5 anos. Queriam Bruce de volta, Blaze havia sido demitido. Eu estava tocando com Bruce, então, havia algo no ar sobre meu retorno", disse.

Mesmo com os rumores que começavam a circular, Adrian Smith não queria voltar de fato. "Eu pensava em fazer apenas uma turnê ou voltar para casa após um show. Se você me perguntasse uma década antes, eu diria que nunca faria isso. Mas as coisas mudam - você adquire sabedoria ao envelhecer. Steve (Harris, baixista) tem essas ideias malucas que você pensa que não vão funcionar, sugerindo três guitarristas na banda", afirmou.


As composições iniciais de "Brave New World" (2000), primeiro álbum após o retorno de Dickinson e Smith, foram feitas em Portugal. "Eu tinha a música 'The Wicker Man', comecei a tocá-la e assim seguimos. Nunca olhamos para trás", disse.

Adrian também comentou que o projeto de três guitarristas no Iron Maiden não daria certo se as personalidades de Dave Murray e Janick Gers não fossem tranquilas. "Se tivéssemos três Yngwie Malmsteen ou três Ritchie Blackmores, sairia fogo após 5 minutos. Dave é um dos meus amigos mais antigos, trabalhamos juntos por anos. Janick é um cara amável. E Janick não mudaria o que ele toca, ele é muito definido, então, comecei a buscar coisas diferentes para fazer", afirmou.

O músico citou também algumas diferenças em sua forma de tocar após o retorno ao Maiden. "Na banda de Bruce, eu tocava com a afinação drop-D (apenas a corda mais grossa afinada um tom mais grave), então, no Maiden, passei a tocar 'Wrathchild' e 'Run to the Hills' assim. É um som ligeiramente diferente que eu estava tocando, fazendo muitas oitavas e harmonias. Toquei de forma muito diferente do que tocava durante a minha primeira passagem", disse.

A paixão dos fãs do Iron Maiden também foi assunto nessa entrevista e Adrian falou sobre aqueles que não são exatamente fãs, só querem itens autografados. "Agora, as pessoas descobrem o hotel onde você está. São caçadores profissionais de autógrafos. Eles te pegam assim que você sai e você identifica na hora, porque não parecem fãs. Eles têm malas e malas de memorabilia que desejam autografar para poder vender - e isso irrita a maior parte de nós", afirmou.

Smith destacou a diferença de comportamento dos fãs de verdade. "Os fãs genuínos... sabe, o garoto que bate na porta. Está tudo bem com esses. Porém, essas pessoas (os caçadores profissionais de autógrafos) estragam a situação para os fãs reais porque eu não assino nada dessas coisas, já que eles vão vender. E eles também incomodam. Em Nova York, eles podem ser realmente ofensivos e te assediam", disse.

Para o guitarrista, é na América do Sul que estão "os mais fanáticos". "Eles ficam do lado de fora do hotel em grupos de centenas de pessoas, o que é uma loucura. Claro, não dá para autografar tudo", disse. Adrian citou uma situação vivida em El Salvador, país da América Central, para exemplificar. "Da última vez em El Salvador, havia uma verdadeira multidão fora do hotel. Quando vi, uma hora depois, a polícia tirou todo mundo, teve tropa de choque e tudo, o que só mostra como é lá embaixo", afirmou.

O entrevistador, então, pergunta se não é incrível o Iron Maiden ainda conseguir esse tipo de reação nos dias de hoje, já que tantas coisas mudaram na música e no rock. "Sim, é incrível", respondeu Smith. "Na América do Sul, eles são muito apaixonados. O cidadão comum não é rico, então, eles dão muita importância para o futebol, são apaixonados por esporte, quase como religião - e é o mesmo com música", completou.


Adrian ainda citou o Vasco da Gama, clube de futebol brasileiro que tem uma torcida organizada independente, chamada Força Jovem, utilizando o mascote Eddie em suas bandeiras e brasões. "Eles são como torcedores de futebol. Em um time, eles chegaram a pegar o Eddie como mascote deles. Acho que é o Vasco da Gama, não tenho certeza, mas um time de futebol usa o Eddie em sua bandeira", concluiu.

Ouça o Podcast completo no player abaixo:

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