Steve Harris: "continuaremos tocando o máximo que pudermos"



Steve Harris falou com o portal G1 antes do Rock in Rio, na entrevista além de explicar por que desta vez eles não vieram a bordo do “Ed Force One”, Boing 757 pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson (como fizeram em 2008, 2009 e 2011), o músico, aos 57 anos, também falou sobre as previsões de longevidade da banda e sobre a liberdade de poder tocar em pequenos clubes com seu projeto paralelo, British Lion, pelo qual lançou um disco em 2012.

G1 – Quase 30 anos depois do primeiro Rock in Rio, quais são suas melhores lembranças das experiências anteriores e como você as compararia?

Steve Harris – A primeira vez foi incrível porque foi nosso primeiro festival no Brasil e também foi a única vez na vida em que tocamos como convidados especiais do Queen, então foi algo duplamente grande para nós. Foi simplesmente maravilhoso, não sabíamos o que esperar e a reação do público foi absolutamente incrível. E depois, claro, quando fomos headliners em 2001 também foi ótimo. Mas daquela vez nós já sabíamos do que o público era capaz.

G1 – Essa é a décima visita da banda ao Brasil. Você diria que ainda há alguma surpresa reservada para os fãs brasileiros? E você acha que sua relação com eles é especial?

Steve Harris – Acho que o show é realmente muito bom. Ele é baseado no (disco) "Seventh son of a seventh son", de 1988, mas também tem coisas de épocas diferentes. Infelizmente, hoje em dia é muito difícil surpreender as pessoas porque assim que você faz o primeiro show de uma turnê todo mundo o assiste na internet (risos). Mas, de qualquer forma, assistir em casa não é nem de longe a mesma coisa que estar lá, ainda que você veja o mesmo show. Você pode assistir quantas vezes quiser no Youtube, mas, no final das contas, não é a mesma coisa que estar lá.

E sim, claro que temos uma relação diferente com o Brasil. Acho que todos sabem que é um lugar muito especial para nós. Os fãs brasileiros são fantásticos, adoramos tocar no Brasil. E, para mim, pessoalmente, existe ainda a conexão com o futebol, porque eu amo futebol e o Brasil é um país onde todos gostam muito também. Isso faz o país ainda mais especial para mim.

G1 – E vocês estão novamente vindo com o Ed Force One?

Steve Harris – Não, desta vez não, porque não temos muitos shows marcados aí por perto, então não justificaria. Vamos em um avião "comum" mesmo. Acho que Bruce pode voar aí pelo Brasil em algum avião menor, talvez, mas não será uma grande viagem, de qualquer forma.

G1 – O disco mais recente do Iron Maiden (“The final frontier”, de 2010) foi o mais vendido até hoje e, este ano, o Rock in Rio tem duas noites dedicadas ao metal em vez de apenas uma, como nas edições anteriores. Ainda assim, muita gente continua dizendo que o rock está perdendo espaço e que o metal é algo ultrapassado. Por que você acha que elas insistem nisso?

Steve Harris – Acho que sempre vão existir pessoas dizendo essas coisas. Mas é o preço por elas não entenderem. Elas não ouvem direito e por isso não entendem, são muito ignorantes em relação ao heavy metal e por isso fazem esse tipo de comentário. Elas não os fariam se entendessem o metal.

G1 – E você gosta das bandas de heavy metal mais novas? É fã de alguma em particular?

Steve Harris – Gosto muito do Ghost, e eles irão tocar conosco aí no Brasil. Realmente gosto muito deles ao vivo, prefiro vê-los ao vivo do que ouvir os discos, aliás. Gosto de verdade da forma como se comportam no palco. Eles têm influências dos anos 70, com as quais cresci e que andam meio sumidas, então realmente gosto do clima que eles criam. E existem muitas bandas das quais eu gosto, muitas mesmo, mas acho que nenhuma delas é assim tão nova.

G1 – No passado, você dizia que o Iron Maiden lançaria apenas 15 discos, e isso já aconteceu. Como você enxerga o futuro da banda? Vocês falam sobre isso, planejam até quando continuarão tocando?

Steve Harris – Nós continuaremos tocando o máximo que pudermos, enquanto nos sentirmos bem em relação ao que estamos fazendo, enquanto nos sentirmos em forma e saudáveis. Enquanto conseguirmos continuar fazendo shows queremos continuar, e queremos também gravar mais discos. Mas, obviamente, o tempo não está ao nosso lado, já não somos mais tão jovens. Mas nos exercitamos bastante, então acho que ainda vamos durar bastante.



G1 – E o que você acha quando as pessoas, inclusive muitos músicos, dizem que o Iron Maiden é a melhor banda de heavy metal de todos os tempos? Você concorda?

Steve Harris – Bom, eu aceito como um fantástico elogio. Não sei se concordo realmente, não fico pensando nisso. Apenas fazemos nossa parte. Mas, se as pessoas dizem isso, aceito como um ótimo elogio, ficamos felizes com isso. É claro que gostamos quando falam bem de nós (risos).

G1 – Você lançou seu primeiro disco solo em 2012. Por que apenas agora, depois de mais de três décadas em uma banda? E qual a importância desse projeto? Quais coisas ele te permite fazer e que você não conseguiria com o Iron Maiden?

Steve Harris – Porque eu sempre estou tão ocupado com o Maiden o tempo todo! Levou uma eternidade para que eu conseguisse fazer (o disco). Gostaria de pensar que, se for para lançar outro, não demoraria tantos anos assim, já que eu nem tenho mais tanto tempo de vida (risos). Basicamente tenho que aproveitar brechas de tempo, porque o Maiden, obviamente, é o mais importante, e acho que todos sabem que sou o cara mais ocupado da banda, mesmo quando não estamos em turnê. Não é muito fácil encontrar tempo.

E sim, é um tipo diferente de música, com influências do rock dos anos 70, e espero que as pessoas entendam isso. Pode ser algo que gente que nem é fã de Iron Maiden consiga entender melhor, ou algo que os fãs mais jovens não gostem tanto, já que não é metal. É algo muito interessante, que eu adorei fazer, mas algumas pessoas ficaram meio preocupadas que eu pudesse abandonar o Maiden, mas isso nunca vai acontecer, ele sempre foi minha prioridade e sempre será. É apenas um pouco de diversão paralela. E é ótimo, porque, claro, não posso tocar em pequenos clubes com o Maiden, não posso mais fazer isso há uns 30 anos. E com o British Lion eu posso, o que é uma ótima experiência. Agora é como se eu tivesse o melhor de dois mundos, porque posso tocar em festivais imensos e também em clubes pequenos. É muito divertido.

G1 – Como ex-jogador e um grande fã de futebol, você pretende voltar ao Brasil em 2014 para a Copa do Mundo? E qual seria sua aposta sobre o vencedor?

Steve Harris – Bem, a Inglaterra ainda não garantiu uma vaga (risos). Basicamente a Inglaterra tem que se garantir primeiro, aí eu começo a pensar sobre isso. Caso contrário, vou assistir de qualquer forma, mas de outro lugar. Mas se a Inglaterra for... é uma possibilidade, embora dependa do que vamos estar fazendo com a banda. Infelizmente Rod (Smallwood, empresário do Iron Maiden) gosta de rugby, ele não liga para futebol, daí ele tenta marcar shows longe de onde estiver acontecendo uma Copa do Mundo. Então eu não me surpreenderia se nós acabarmos do outro lado do mundo nessa época (risos). Quanto a um favorito... bom, não sou do tipo de cara que faz apostas, mas, se fosse, com certeza não apostaria contra o Brasil.

Fonte: G1
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