Músicas raras e curiosas do Iron Maiden (PARTE 1)



O colaborador Bruno Prado comenta em uma série de textos as mais raras e curiosas versões das músicas do Iron Maiden.

Vale lembrar que o critério de raridade se tornou muito subjetivo após a popularização da internet. Hoje em dia tudo pode ser encontrado e “baixado”. Basta um pouco de esforço. Como nada está livre do alcance dos fãs, nada mais é raridade unânime. Portanto as versões abaixo estão classificadas em 5 níveis levando-se em consideração a dificuldade em compra-las através de um item físico (e não apenas copia-las da internet):

1 - significa que a faixa não é rara. Pode ser encontrada em itens de fácil acesso, porém, algo a torna objeto de curiosidade e destaque no catálogo da banda.

2 - ainda não são raridades mas deverão ser no futuro. Seus itens ainda são vendidos em lojas e/ou são de fácil acesso entre os fãs. Mas não perca tempo senão o único meio de obtê-las será por MP3.

3 - são faixas de raridade moderada e podem ser achadas pela internet sem dificuldade. Muitos fãs as possuem, mas se você quiser compra-las em um item físico terá de adquirir por meio de terceiros.

4 - indicação de faixas que são raras para se adquirir fisicamente mas não digitalmente. Os itens físicos os quais pertencem não são vendidos por qualquer um, entretanto, podem ser encontrados na internet sem nenhuma dificuldade.

5 - são faixas consideradas raras para se adquirir pois não são mais vendidas em nenhum item físico oficial disponível nas lojas atuais. E mesmo na internet não é tão fácil acha-las como as demais, ainda que com algum esforço seja possível o download.

A matéria foi dividida em 4 partes para não ficar muito extensa e a ordem dos comentários segue a cronologia de lançamento das músicas. 


SANCTUARY E WRATHCHILD (METAL FOR MUTHAS VERSION)
Classificação: 3 



Essas são as primeiras músicas gravadas pela banda já como profissionais. Apesar de ainda estarem em processo de contratação pela EMI naquela época, eles foram pagos para gravar ambas as músicas. Frequentemente os fãs confundem-nas com aquelas versões presentes nos seus dois primeiros discos. E apesar de certa semelhança, não são!





Elas foram lançadas na compilação Metal For Muthas de 1980, antes do Iron Maiden sequer entrar em estúdio para a gravação do primeiro disco, que excluiu Wrathchild porque segundo Steve Harris eles ainda não estavam 100% satisfeitos com a música. Ela só seria regravada para o álbum seguinte, Killers, quando Adrian Smith entrou para a banda e ajudou a finaliza-la (esta primeira versão foi gravada pelo antigo guitarrista Denis Stratton).

DRIFTER E I GOT THE FIRE (LIVE 03.04.1980 AT MARQUEE CLUB, LONDON)
Classificação: 2 



Esta versão de Drifter é primeira música ao vivo lançada oficialmente pela banda. I Got the Fire - cover do Montrose - também é o primeiro e único cover ao vivo lançado oficialmente.

Ambas eram b-sides do polêmico single Sanctuary (aquele da capa censurada) e curiosamente estas versões ao vivo foram lançadas antes mesmo de suas versões em estúdio  Drifter só seria gravada em 1981 para o Killers e I Got the Fire em 1983 para o single Flight of the Icarus.

Nenhuma das versões pode ser considerada rara atualmente e estão presentes em diversos lançamentos da banda.





OBS: o título “I Got The Fire” (original) foi modificado para “I’ve Got The Fire” pelo Iron Maiden quando regravada em estúdio. Significam a mesma coisa em tradução livre: “eu tenho fogo”, mas “I’ve got” - contração de “I have got” - é a forma correta do inglês britânico enquanto “I got” é a variação usual americana falada principalmente na Califórnia, lar do Montrose. Frequentemente esta última é entendida com sentido de aquisição e neste caso, “ter fogo” para o Montrose poderia significar que ele foi conseguido de alguma forma externa, como alguém que vai na esquina arrumar um isqueiro (comprado, emprestado, etc). Já a forma britânica enfatiza posse e portanto, para o Iron Maiden significaria que ele possui fogo, é dele, e sempre foi. Não interessa como.

REMEMBER TOMORROW
(“LIVE 1982” - THE NUMBER OF THE BEAST SINGLE)

Classificação: 2



Também não é rara, mas curiosa. A banda fez pensar que este b-side era uma versão nova ao vivo com o então novo vocalista Bruce Dickinson quando na verdade é apenas a mesma versão do EP Maiden Japan de 81 editada com o vocal de Bruce no lugar de Paul DiAnno. No fim da música ainda é possível perceber a voz de Paul agradecendo o público.

Veja a comparação entre as versões:



MISSION FROM 'ARRY
Classificação: 2



Foi a primeira faixa lançada pela banda que não era uma música propriamente dita. “A missão de `Arry (Harris)” foi uma famosa discussão entre Steve Harris e Nicko McBrain que foi lançada como b-side do single 2 Minutes to Midnight.

O que pouca gente sabe é que na verdade essa gravação não é o começo da história. Os ânimos já haviam se acalmado quando Bruce chegou e incentivou seu reinicio, gravando o resultado com um gravador portátil que foi descoberto por Steve no fim.

A discussão começou porque Steve queria avisar Nicko durante o solo de bateria que o baixo estava com problemas e que por isso ele deveria estender a duração do solo. Steve chamou a primeira pessoa que viu em sua frente e mandou avisa-lo, mas como a pessoa não sabia o que fazer pois não era o assistente de Nicko, acabou atrapalhando seu solo, o que o deixou furioso. Tentando defender seu “mensageiro” Harris teve a tal discussão com Nicko.



RUNNING FREE (LIVE 17.03.1985 AT LONG BEACH ARENA, L.A.)
Classificação: 2



Esta é a única faixa ao vivo da banda com duas versões oficiais da mesma gravação.

Devido a restrição de tempo e espaço no single original Running Free Live de 85 a música foi editada retirando-se a participação do público no final. Essa versão cortada tem 3m26s contra 8m16s da original, presente no disco Live After Death. Curiosamente também é o único single no qual sua versão difere do LP onde foi lançado.

OBS: até 1998 apenas as versões em CD simples do Live After Death vinham com a música editada de 3m26s. A partir daquele ano o CD passou a ser duplo e já contém a versão completa remasterizada com 8m43s (os 27s adicionais são apenas aplausos do público no fim, totalizando se assim desejarem, 3 versões distintas oficiais da mesma gravação).

SHERIFF OF HUDDERSFIELD
Classificação: 2



O maior "segredo musical" do Iron Maiden foi guardado a 7 chaves até seu lançamento e era adaptação da música “Life in The City” do Urchin, banda de Adrian Smith.

A letra é uma paródia baseada no episódio da mudança do empresário Rod Smallwood para Los Angeles em meados da década de 80. Natural de Huddersfield (daí o título), ele não teria se adaptado ao estilo de vida americano que não possuía cerveja boa, rugby e futebol, segundo as reclamações do próprio perante a banda.



Nicko McBrain conta a história por trás dessa música na faixa “Listen With Nicko Part VIII” do CD First Ten Years Part 8. Segundo Nicko, Rod estava tão empolgado que no início convidava todos a se mudarem com ele para Los Angeles. A “empreitada” acabou após ele tentar assistir futebol em canais britânicos via satélite numa parabólica instalada por um mexicano, o que obviamente não deu muito certo, lhe custou muito dinheiro e esgotou sua paciência.

Todo o processo de gravação, prensagem e lançamento ocorreu sem o conhecimento de Rod que só ficou sabendo da faixa após seu lançamento, mas levou a brincadeira numa boa.

Huddersfield é uma pequena cidade do interior da Inglaterra que fica próxima a Yorkshire. Teve grande importância na revolução industrial e é a cidade natal do ex-premiê britânico Harold Wilson, além de ser conhecida por ser o local onde a liga nacional de Rugby foi criada em 1895.



Na segunda parte da matéria descubra quem foi Black Bart, entenda o significado de “Mumblings And Jumblings” e saiba porque Bayswater não é um lugar ruim para se morar. Abraços e UP THE IRONS!

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