Review: Quebec City - Colisee Pepsi Arena



Iron Maiden - Quebec City
Texto e Fotos - Everaldo Dias

Quando se assiste a um show tão grandioso ao vivo como é o do Iron Maiden, um espetáculo nunca é suficiente pra analisar e absorver tudo. Mesmo quando os set lists são os mesmos durante a turnê inteira (o calcanhar de Aquiles do Iron Maiden). Sendo assim, escolhi quatro shows durante esta primeira perna da Maiden England World Tour. No primeiro, você só observa. No segundo, você analisa com mais calma. No terceiro, compreende cada detalhe e no quarto, você curte mais profundamente e também por ser o último.

Grandes diferenças dos shows de Ottawa e Quebec. O primeiro, era num festival pra cerca de vinte mil pessoas e, como acontece na maioria dos festivais, a maioria do público é de curiosos e não de fãs leais como são conhecidos os do Maiden. Talvez por isso, a banda tenha dado muito mais o sangue no show de Quebec. E assim foi. O local escolhido, o Colisee Pepsi estava cheio, mas não lotado. Acho que umas 10/12 mil pessoas no máximo. Na pista, umas quatro ou cinco no máximo. E assistir o Maiden num lugar desses é fantástico. Foi meu décimo sétimo show do Iron Maiden e o primeiro que fiquei na grade. Palco baixo, público comportado, tudo de bom. Foi realmente impressionante assistir aos caras, pela primeira vez, a um braço de distância. Toda a energia da banda, juntamente com o som alto e toda as labaredas das pirotecnias são sentidos muito de perto pelo seu corpo. Uma experiência fantástica. Pra quem é realmente fã, então. Único. Assistir shows grandes com 40, 50, 100 mil pessoas, pode ser bom do ponto de vista de ver como a banda é poderosa, mas é desconfortável. Ver a banda em um lugar relativamente pequeno, só para fãs, grudado nos caras, seguindo cada gota de suor que cai deles, torna assistir a um show do Iron Maiden como ele realmente é. 200% de energia e calor humano. Não existe presença de palco igual a desses senhores que, aos poucos, vão se aproximando dos sessenta anos. A energia dos caras supera a de muitos moleques de 25 anos. O que torna a coisa ainda mais impressionante...





Houve vídeos mais elaborados como introdução pra várias músicas. Logo depois de Doctor Doctor, há um empolgante vídeo das geleiras (parecido com os do Maiden England original, porém, atualizados e muito mais bem feitos e realistas), com o Bruce cantando a introdução de Moonchild de fundo (parecido com a Satellite 15, antes da Final Frontier), há o vídeo introdutório de The Prisoner, o discurso de Churchill's em Aces High (a introdução da Somewhere Back in Time, lembram?) e assim por diante.

A maior surpresa desse show, foi a presença do terceiro Eddie na 7th Son of a 7th Son. Um Eddie vidente gigantesco cresce por trás do palco com um efeito muito realista de luz vermelha nos olhos. Há uma enorme vela com um demônio do lado direito do palco e uma outra enorme com um anjo, do lado esquerdo. Ambas vão queimando aos poucos no desenrolar da música que tem uma performance inspirada do Bruce. Bruce, que por sinal, aparece com um figurino diferente nesta música. A banda investiu pesado nesse Eddie e mais ainda no segundo, que aparece na execução da Iron Maiden. Este, o do 7th son. Aparece com a cabeça em chamas, mexendo a cabeça e com o feto se mexendo. Ambos, gigantescos e muitíssimo bem-feitos e realistas. Sendo assim, acho que o dinheiro acabou pro terceiro Eddie que entra durante a execução da Run to the Hills. Esse, muito mal-feito. Quase amador. Em nada lembra os das turnês passadas, Somewhere Back in Time e Final Frontier World Tour que eram espetaculares.









Os fogos funcionaram muito melhor também neste show de Quebec. Por ser um local fechado, o efeito foi outro e não teve problema com chuva e vento pra estragar um pouco dos efeitos. Essa turnê está pra lá de especial. O pecado, infelizmente, é o set list. Deixar de fora Killers, Halloweed Be Thy Name, Die With Your Boots On, Caught Somewhere in Time, Strange in a Strange Land, Heaven Can Wait, Alexander the Great e PRINCIPALMENTE, Infinite Dreams é um sacrilégio. A surpresa por Afraid to Shoot Strangers (execução perfeita), é muito bem-vinda, embora ela não devesse estar nesta tour. E mais uma vez, a presença das pra lá de saturadas Running Free, 2 Minutes to Midnight, The Evil that Men Do e Fear Of The Dark dão uma arranhada nessa tour tão especial. A esperança, e ninguém me tira ela, é que ano que vem, nas pernas 2 e 3 da turnê, vão dar uma pequena mexida no set e, ao menos Infinite Dreams será executada. A nós, brasileiros, resta esperar. Os shows daí, provavelmente serão anunciados no site oficial em novembro, junto com todas as datas de 2013. Por aqui no Canadá, ainda temos o show de Montreal e Toronto. Especiais por estar na presença de grandes amigos de longa data que estão me dando a maior força aqui no Canadá. Assistir a um show do Maiden é sempre especial. Na presença de amigos queridos que moram em outros países e que você mal vê uma vez por ano, faz a coisa ficar realmente inesquecível. Vamos lá então aos shows 17 e 18 dos ingleses. Up the fucking irons!

SETLIST - MAIDEN ENGLAND TOUR - QUEBEC 08/07/2012

1. Moonchild
2. Can I Play With Madness
3. The Prisoner
4. 2 Minutes To Midnight
5. Afraid To Shoot Strangers
6. The Trooper
7. The Number Of The Beast
8. Phantom Of The Opera
9. Run To The Hills
10. Wasted Years
11. Seventh Son Of A Seventh Son
12. The Clairvoyant
13. Fear Of The Dark
14. Iron Maiden

Encore:

15. Churchill's Speech/Aces High
16. The Evil That Men Do
17. Running Free
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