NY Times: O Iron Maiden e a indústria musical

Por Eric Pfanner
Tradução: Cris McBrain

Fãs de heavy metal se orgulham da sua imagem de “renegados”. Mas para a indústria da música, os seguidores da banda britânica Iron Maiden se tornaram cidadãos-modelo.

Enquanto as vendas de música despencam e as gravadoras enfrentam o futuro com ansiedade, os fãs do Maiden ainda correm para as lojas de discos. Como o mascote zumbi da banda, Eddie the Head, o Iron Maiden se recusa a morrer, e sua vitalidade contínua pode oferecer à perturbada indústria musical algumas dicas de como sobreviver.

O 15º álbum do Iron Maiden, “The Final Frontier”, entrou direto no topo da lista de álbuns da revista Billboard européia quando foi lançado no final de agosto, e segurou a posição na segunda semana. O álbum também estreou em primeiro lugar em outros países, desde Arábia Saudita até o Japão, dando uma necessária ajuda para a EMI Music, que detém os direitos internacionais. Nos Estados Unidos, onde foi lançado pela Universal Music Enterprises, “The Final Frontier” estreou na 4ª posição.

Até o final da última semana, mais de 800 mil cópias de “The Final Frontier” tinham sido enviadas para lojas do mundo todo, diz Rod Smallwood, empresário de longa data da banda. Isso ainda é bem longe das mais de 12 milhões de cópias vendidas do primeiro álbum de Lady Gaga, “The Fame”. Mas o Iron Maiden tem uma longevidade que muitos artistas pop podem apenas invejar. Em mais de 30 anos de carreira, a banda vendeu aproximadamente 85 milhões de cópias.

“Muitas bandas poderiam aprender com o Maiden.O Maiden se preocupa essencialmente com a relação com os fãs, e nada atrapalha isso. Eles não querem ser rock stars. Eles simplesmente gostam de tocar para os fãs.” diz Smallwood.

Os seis membros do Iron Maiden, todos na casa dos 50 anos de idade, não são os únicos veteranos do metal que ainda tocam ao vivo e gravam álbuns. Bandas como Metallica também seguem firme, e bandas de hard rock como AC/DC e Guns N’ Roses também encontraram um sucesso renovado.

“Com sua imagem tribal e parâmetros extremos, o metal oferece um ‘lar’ para aqueles que o acompanham de uma forma que nem o pop, nem o hip-hop e nenhum outro gênero oferece”, diz Joel McIver, escritor londrino que é autor de “Justice for All: The Truth About Metallica” e outros livros sobre heavy metal.

Uma relação próxima dos fãs, reforçada por uma agenda implacável de shows, tem sido uma necessidade para a banda desde o início, quando a principal ferramenta de marketing da indústria musical, a vinculação nas rádios, passava longe do Iron Maiden. As músicas eram muito longas e muito barulhentas para se encaixar nas fórmulas convencionais das rádios, e alguns grupos de pais cristãos protestavam contra as mensagens Satânicas inseridas nas músicas – uma acusação que a banda sempre negou.

A falta de exposição em rádios pode ter criado desafios, mas preparou o Iron Maiden para a era digital, quando o modelo tradicional da indústria faliu. Agora, um single que toque bastante nas rádios provavelmente mandará mais ouvintes para a internet para baixar o álbum de forma gratuita do que para as lojas.

Pelo fato das músicas do Iron Maiden não se encaixarem no molde de um single de rádio – três delas, no último lançamento, têm mais de 9 minutos – a banda não sofre tanto com esse problema.

Enquanto “The Final Frontier” atingiu o topo das listas no mês passado, os serviços digitais mostraram pequenos níveis de download ilegal do álbum, segundo David Kassler, chefe de operações da EMI na Europa.

“Você imagina que algumas pessoas vão piratear, mas não estão fazendo isso”, diz Kassler. “Elas querem o álbum físico. Elas adoram a capa, as letras. É algo que elas querem mostrar para seus amigos e família”.

As vendas digitais de “The Final Frontier” estão baixas, provavelmente correspondendo a apenas 10% ou 15% de todas as vendas nos Estados Unidos, segundo Smallwood. De forma geral, as vendas digitais correspondem a quase metade do mercado musical americano.

Mas o Iron Maiden não sofre de anacronismo da era analógica, insiste Smallwood. A falta de vinculação nas rádios e a dependência do boca-a-boca preparou bem a banda para as nuances do marketing digital, ele diz.

“Quando a internet chegou, provavelmente fomos um dos primeiros a entender o potencial”, ele diz.

Antes do lançamento do álbum, o Iron Maiden renovou o website, criou um perfil no Facebook e ofereceu um single digital de graça, “El Dorado”, para que os fãs fizessem o download. Lançaram até um jogo grátis.

Para encorajar as vendas de álbuns, camisetas e outras mercadorias ligadas ao “The Final Frontier”, a EMI montou seções especiais para o Iron Maiden em lojas européias como a HMV, Media Markt e FNAC.

As vendas desse tipo de merchandise podem chegar a corresponder a mais de 20% dos ganhos de uma gravadora com a banda, segundo Kassler, apesar de ele não ter fornecido nenhum dado específico para o Iron Maiden.

Apesar desses esforços, é improvável que o Maiden retome o sucesso de vendas dos anos 80, quando um álbum como “The Number of the Beast” vendou 14 milhões de cópias. Pelo fato de os fãs serem muito fiéis, eles tendem a comprar o álbum rapidamente, mas as vendas caem após algumas semanas.

Ainda assim, Joel McIver, o escritor, diz que há muitas lições para a indústria musical no sucesso contínuo do Iron Maiden: “Invista no longo prazo. Crie uma imagem. Dê aos fãs o que elesb querem. Faça shows e mais shows. Toque em festivais. Aproveite a nova tecnologia. Seja inovador. Seja honesto. Seja original. Faça boas músicas.”

Matéria Original (em inglês)
http://www.nytimes.com

Fonte: IMB Notícias
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