Paul Di'Anno: "Eu amo Samba"



Bruce Dickinson até pode ser a voz do Iron Maiden hoje, mas era Paul Di'Anno que possuia o microfone da banda nos dois primeiros álbuns, que até os dias de hoje são a base do repertório do Maiden. Após um começo difícil e passagens pelas bandas Battlezone e Killers, Paul atualmente segue fazendo turnês ao lado de músicos de diversas partes do mundo.

O site canadense Vue Weekly falou com Di'Anno sobre a próxima tour do ex-vocalista do Iron Maiden no Canadá e diversos outros assuntos, confira!

Vue Weekly: Quando você começa na música enquanto garoto, todos à sua volta estão fazendo a mesma coisa, mas chega um momento em que algumas pessoas simplesmente desaparecem e param de tocar por qualquer motivo, enquanto outros nunca desistem.

Paul Di'Anno: Sim, está no sangue, eu acho. Você ouve o "velho castanheiro elegante", é a melhor droga do mundo, para mim ela provavelmente é. Não questão de dinheiro ou qualquer outra coisa, eu estive lá, fiz isso, é realmente amar o que faz, ir lá e tocar.

VW: Quem está tocando com você nessa turnê?

Paul: Você não sabe? Eu não sei dizer. Veja, para manter os preços dos ingressos mais baixos e tudo, nós usamos bandas diferentes em países diferentes, de modo que não temos de cobrar uma fortuna. Temos cerca de 36 [bandas que eu uso]. Esses caras de Calgary(Canadá), eu nem sei o nome da banda ainda, estou indo para ensaiar com eles e nós vamos levá-los de lá. Eles ensaiam e... Surpresa! As vezes isso pode fazer você quebrar a cara, mas normalmente é muito excitante começar a tocar com músicos diferentes que nunca tocaram com você antes. Você fica surpreso, as vezes você fica muito chocado, por vezes, eles são terríveis. Quer dizer, se eles forem terríveis, eu estou ferrado!

VW: Existem vários vídeos com você e outras bandas no YouTube, e uma coisa que se mantêm consistente em todos eles é que você dá tudo de si em cada música.

Paul:
Bom, se você vai fazer o trabalho, faça direito. Não vale a pena se segurar. Nunca fiz isso em minha vida – até nos ensaios eu canto tão forte quanto sobre o palco. O lance é, todos os dias há algo que te deixa puto e não importa quem você é. Algo vai realmente te tirar do sério ao longo do dia, então canalizo tudo isso e ao invés de dar um soco ou gritar com alguém, faço isso no palco. Livro-me disso e é como terapia.

VW: Há um vídeo circulando, com você em um grupo chamado Rockfellas e você está cantando "Message in a Bottle".

Paul: Eu gosto do The Police! Rockfellas é um projeto onde me reuni no ano passado com alguns músicos do Brasil: o baixista de uma das maiores bandas do Brasil de todos os tempos, Raimundos, e o guitarrista do Charlie Brown Jr., Eu e Jean Dolabella de Sepultura, fizemos isso por diversão. Foi um projeto divertido e nós não fizemos muitos shows, mas foi impressionante e nós podemos fazê-lo novamente, não temos certeza ainda, mas estamos pensando em fazer uns punk covers agora.

VW: Você ouve um monte de coisas em casa que pode surpreender as pessoas?

Paul: Bossa Nova! Minha namorada é uma cantora da Bossa Nova. Eu amo Samba. Eu também escuto música clássica e coisas assim, algumas coisas como Cat Stevens, mas principalmente Punk como sempre.

VW:Em relação a sua própria música, “The Living Dead” de 2006 foi seu mais recente lançamento?

Paul:
Sim, nós o relançamos. Era chamado de 'Nomad' e foi lançado em 2000, e saiu na Europa como 'The Living Dead' porque nós fizemos um vídeo para a coisa. E quando o Megadeth estava se separando – aparentemente – a gravadora nos perguntou se gostaríamos de fazer um tributo a eles, tipo uma música tributo, então nós gravamos 'Symphony of Destruction' e gostamos, e Dave [Mustaine] também gostou e então dissemos, 'OK, foda-se, vamos colocá-la no álbum como faixa bônus para o relançamento na Europa'. Nem sei como nos saímos por lá, não faço a mínima ideia. Tudo que me deixou feliz foi quando estávamos gravando o álbum e gravei todas as minhas partes em todas as faixas duas vezes em dois dias das 6 às 12 e fiquei, tipo, 'Yeah, ficou bom'. Fiquei realmente feliz com isso – fui para casa com meus filhos e voltei duas semanas depois para as mixagens"

VW: Você gosta de gravar rápido assim?

Paul: Porra, odeio gravar. Oh, Deus, como posso extravasar tudo que escrevi, algo nervoso ou sei lá, rodeado de quatro paredes, sem público, nem nada? Acho muito difícil tirar os sentimentos de mim, então tento ficar ligado e puto e entro no estúdio, entro com tudo. Como já disse, quando fizemos 'Nomad', gravei as primeiras faixas às 6 e acabei o álbum às 12 – todas as faixas mais os backing vocals, e fiz isso novamente no dia seguinte e disse 'Ah, foda-se, já chega. Se você não consegue tirar nada disso então deixa quieto.

VW: Quando você tem que entrar em um lugar como esse, seria difícil ficar dois meses em estúdio..

Paul: Oh, metade dessas bandas fazem isso. É isso que me desaponta. Não é sobre o dinheiro. Algumas bandas entram lá, o vocalista entra e canta duas linhas ou quatro palavras. Oh, Deus, eu provavelmente estaria preso por assassinato porque atiraria no produtor por demorar demais. Ficaria louco, não conseguiria lidar com isso. Você perder todo o feeling, toda a energia. Entendo que músicos devem levar mais tempo, mas não toco nenhum instrumento nos álbuns – escrevo as músicas, mas não as toco em estúdio – apenas canto. Não conseguiria fazer isso cara, ficaria louco.

VW: Quando algo é feito assim, capta a emoção do momento.

Paul:
Ah, sim, eu não devo ser um cantor de ópera atingindo todas as notas perfeitas. Você tem que ir lá e se conseguir o que deseja, deve ser o suficiente.

VW: Você está trabalhando em alguma coisa?

Paul: Gravamos cinco faixas na Alemanha no ano passado – algo muito industrial – mas tivemos algumas discussões com a gravadora e mandamos todos à merda, basicamente. Então guardei as músicas e um amigo meu de Salisbury no sudoeste da Inglaterra, onde estou no momento, acabou de me dar 16 partes de músicas então quando tiver um tempinho, vou embora e ver o que consigo fazer com elas.

VW: Você está em carreira solo há mais tempo do que ficou no Iron Maiden, mas aqueles dois primeiros álbuns passaram pelo teste do tempo e são uma boa base para sua carreira.

Paul:Ah sim. Acho que esse ano ou o próximo é o aniversário do primeiro álbum e parece que ninguém vai fazer nada para comemorar, o que é uma pena, realmente. Não quero fazer muita coisa, mas de vez em quando, você olha com outros olhos e alguns dos fãs dos dois primeiros álbuns do MAIDEN, alguns dos fãs mais jovens, nunca me viram cantando essas músicas, ou apenas ouviram algumas das minhas versões das coisas do MAIDEN que inserimos nos set lists, que são mais pesadas e rápidas do que as originais, então seria interessante. Sempre digo nunca mais, nunca mais, sobre as músicas do MAIDEN que coloco no meu set list, e então, quando subo no palco e vejo como os fãs as adoram, tipo, 'Oh, merda, nunca vou me livrar dessas músicas, elas terão que ficar para sempre'. Mas então, não devo eliminá-las porque elas me proporcionaram uma carreira fantástica. Nunca morda a mão que te alimenta.

VW: Depois do Maiden, você teve algumas bandas próprias.

Paul: Sim, não houveram realmente muitas bandas. Houve, obviamente o Battlezone, mas depois se tornou Killers. Tivemos sorte de ter um lineup com poucas mudanças, em seguida, mudamos o nome porque nós temos toda essa merda da gravadora. Essa é a maldição da minha vida: as gravadoras. Eu pareço cair com eles rapidamente, porque realmente eles querem um álbum a cada três anos e eu: "Foda-se, não, eu estou em turnê." Eu não escrevo rapidamente, eu estou um pouco lento, eu não posso escrever quando eu estou na estrada e eu estou sempre na estrada, eu nunca estou em casa a escrever canções.

VW: Você planeja o tempo livre, além de escrever?

Paul: Yeah. Vou ter algumas idéias. Como eu disse, tenho essas 16 faixas aqui, são apenas a base do todo. Em um dia de folga vou escutar o que fizemos e se eu gostar vou marcar um dia livre, como um "guardião" e vou começar a escrever letras para depois.
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