Review: Paul Di'Anno no Manifesto Bar em SP

18 de julho, mais uma grande noite no Manifesto Bar em SP. Paul Di’Anno, o primeiro vocalista da Donzela de Ferro volta a dar as caras em um empolgante show na capital paulista. Em uma tour que já havia passado por outras cidades em terras tupiniquins (entre elas Curitiba, Porto Alegre e Ribeirão Preto), Di’Anno estava acompanhado dos gaúchos da banda Scelerata. Tínhamos tudo que seria necessário para uma noite perfeita: ótima casa de shows, lendário vocalista, bons músicos de acompanhamento e um público vibrante. O resultado disso tudo, foi um grande show!!!

Antes de começar a falar sobre o show propriamente dito, gostaria de tecer algumas linhas para falar do local que o abrigou e sobre a banda de abertura. Acredito que todos que curtem rock e metal na capital paulista já devem conhecer, já os que não são daqui, quando tiverem a oportunidade de visitar nossa grande (e poluída) cidade, não deixem de passar por lá! Sabe quando você lê aquelas entrevistas de bandas grandiosas como Iron Maiden e Black Sabbath dizendo que o início de suas carreiras fora em pubbs ingleses descrevendo como são tais locais e sua atmosfera? Não conheço a Inglaterra, mas para mim o Manifesto me arremete a idéia que tenho a respeito de um pubb que eu lia nas entrevistas do Iommi. Um bar com várias mesas espalhadas, mesa de sinuca, antigas máquinas de fliperamas (inclusive um antigo jogo de nave de guerra que me levou ao início da minha juventude) e lá ao fundo, em um local mais amplo em forma de pista, com direito a mezanino e um pequeno palco no qual banda e público possuem um contato maior, mas é na decoração que o Manifesto faz por merecer o título de “Templo do Rock” em São Paulo. Ao adentrar a casa observasse espalhadas pelas paredes guitarras autografadas por vários músicos de renome que visitaram o local, como Tommy Tayer (Kiss) e Richie Kotzen (Mr. Big), além de várias fotos dos mesmos degustando um bom chopp na casa, como integrantes do Deep Purple e Iron Maiden.

Conhecendo a atmosfera proporcionada pela casa, faltavam bons músicos para acompanhar Di’Anno. A incumbida desta tarefa tratou-se da banda gaúcha Scelerata que demonstrou ser uma escolha melhor e mais sensata se comparando ao último grupo que o acompanhou nos shows brasileiros. Os gaúchos antes de atuarem como músicos de apoio do Paul, fizeram seu curto mas animado set para agitar os presentes. Executando seu metal melódico, a banda possue na bagagem dois CDs lançados (Darkness & Light de 2006 e Skeletons Domination de 2008) além de terem aberto para grandes nomes em shows no Brasil, entre eles Deep Purple, Gamma Ray, Masterplan e Edguy. Um detalhe sobre a Scelerata é que ela estava com um vocalista de apoio, visto que o original que gravou os dois CDs não se encontra mais na banda e a mesma agora esta a procura de outro, porém isso em nada prejudicou a banda que agradou aos presentes.

Após o show de abertura, era chegado o momento que aguardado por todos os presentes, a lenda viva que gravou os dois primeiros álbuns do Iron Maiden e ajudou a definir o que foi o heavy metal dos anos 80 até os dias de hoje, subiu ao palco! O show da Scelerata foi emendado com o do Paul, sendo assim, Di’anno sobe ao palco sob o tema de abertura de “THE IDES OF MARCH”, uma das melhores canções do Maiden em minha opinião. Com o público pulando e agitando, Paul não deixa o fogo baixar e emenda com “WRATHCHILD”, uma música que o Maiden utiliza até os dias de hoje em seus shows. Aqui, não cabem comparações entre o modo de cantar do Paul e do Bruce, ambos possuem seu próprio estilo de cantar e suas maneiras de interpretar a música, mas uma coisa é certa: ambos agradam e muito quem os ouve!!!

O público fala: “Paul Di’Anno é sem dúvida uma das lendas vivas do Heavy Metal mundial, o fato de uma casa como o Manifesto estar lotada as 18hs de um sábado comprova o fato. É notável a sinergia entre ele e o público e dessa vez não foi diferente. Um show memorável.” - por João Gobo

O público fala: “Foi um bom show! Paul agitou bastante a galera e depois ainda fez quetão de atender um por vez na loja do Manifesto. Pena que foram poucas músicas. Começou de forma excelente com 'The Ides Of March' entrando com tudo em Wrathchild bem parecido com que o Maiden fazia na época do Killers. Não conheço muito sua carreira solo, assim como algumas pessoas presentes, a maioria esperava pelas músicas do Maiden. Particularmente Phantom Of The Opera foi sensacional, já que foi aonde ele mais agitou e o público foi ao delírio.” - por Julio Machia

Agradecendo o público presente e vestido com uma camisa do Corinthians (poxa Paul, sacanagem isso heim hehehe), Di’Anno promete uma noite arrasadora a todos e pede a participação dos presentes acompanhando-o nas músicas. E envolto a este clima o vocal anuncia a próxima música, “PROWLER” do Iron Maiden. Logo após, chega o momento de uma primeira canção de seu período pós-donzela, a hora de separarmos aqueles que conhecem apenas as músicas do Paul Di’anno no Maiden daqueles que acompanham toda a carreira do artista. No caso, estou falando da faixa “MARSHALL LOKJAW” da época em que o vocal montou a banda “Killers” Para minha surpresa, vários presentes acompanharam Di’anno nessa musica, cantando o refrão com o mesmo! Deu para ver que até o Paul se surpreendeu com a recepção de sua música, mas mesmo sua carreira solo tendo ótimas canções, a grande maioria estava presente para ouvir Maiden, portanto, logo após o vocal voltou ao seu período no Iron com “MURDERS IN THE RUE MORGUE”.

Novamente relembrando sua carreira solo, demonstrando que não vive apenas da sua época no Maiden, Di’anno brindou o publico presente com mais duas musicas de seus projetos pós- Iron. Essas canções foram respectivamente “THE BEAST ARISES” (gravada com o projeto Killers) e “CHILDREN FO MADNESS” (do Battlezone). Aqui, cabe um comentário sobre o desempenho de Paul no palco, sua voz não é a mesma da gravação dos anos 80, ele não possui o mesmo vocal dos discos do Maiden em idos dos anos 80 e nem do Battlezone de 1985, mas sua voz não é ruim, muito pelo contrário, é muito bom!!! O verdadeiro fã entende que assim como acontece com todas as pessoas, o seu ídolo é um ser humano e envelhece com o tempo. No caso do Paul, ele soube envelhecer, tanto que ainda esta agitando até os dias de hoje! Já o físico, acredito que todos saibam, devido a um acidente Paul possui um problema muscular na perna impedindo-o de correr para todos os lados. O músico permanece parado no centro do palco e se utiliza de uma bengala para caminhar, mas isso não o impediu de interagir com o público, conversar com os presentes e agitar a noite.

Logo após essas duas canções de sua época solo, temos um dos momentos mais bonitos do show. Paul comenta um pouco dos seus antigos companheiros do Iron, dizendo que nos dias atuais tem contato apenas com Clive Burr com quem ainda tem uma grande amizade e dedica à próxima música ao ex-baterista da donzela. É nesse clima saudosista, que Paul canta “REMEMBER TOMORROW”, uma das músicas mais bonitas de toda a carreira da Donzela. Com o público nas mãos após essa canção, Di’Anno visita novamente sua carreira solo tocando duas musicas do seu projeto Killers, estamos falando de “IMPALER” e de “FAITH HEALER”. Novamente uma boa quantidade dos presentes acompanha essas músicas mostrando que conhecem as outras fases de Paul, porém o fim do show já se aproximava, e para colocar todos para pular no Manifesto, Paul sabia que deveria cantar os clássicos dos dois primeiros discos da Donzela. É nesse momento, Paul coloca fogo na pista mandando uma tríade sagrada de petardos, não houve um presente que não o acompanhou nessas canções ou que manteve os pés no chão. Em uma única tacada, para encerrar o show, Di’anno cantou “KILLERS” que dá nome ao segundo disco do Maiden, “PHANTON OF THE OPERA” executada de forma impecável pelos músicos da Scelerata e “RUNNING FREE” com direito as famosas paradinhas para o público cantar o refrão! Após essa trinca, todos necessitavam respirar e tomar uma cerveja gelada para refrescar.

Após uma pequena pausa, com todos pedindo a volta de Paul aos palcos, dá-se inicio a introdução da maravilhosa “TRANSYLVANIA”, mostrando ao público presente que o show ainda não acabara. Findando sua execução, temos a grande surpresa da noite: Paul inclui no set lista a canção “MAD MAN IN THE ATTIC”, que faz parte do disco “Nomad”. Esse disco é o ultimo trabalho solo do vocalista, que recentemente recebeu o nome de “The Living Dead”. Para encerrar o show de vez e a ótima noite, Paul toca um cover que não é de hoje que faz parte do seu show. Sempre dizendo que em muitas vezes o que falta para o Heavy Metal é uma atitude punk, Paul encerra a noite com a clássica “BLITZKRIEG BOP” dos Ramones. Fim do show, mas não da noite. Paul vai para os camarins descansar um pouco (lembrando que ele tem um sério problema na perna o que impede de ficar em pé por muito tempo). Após, os seguranças da casa organizarem uma fila, Paul faz questão de atender a todos os presentes autografando o que lhe era pedido e tirando foto com seus fãs. Uma noite perfeita para curtir o show de um vocalista que embora não esteja no auge como nos anos 80, ainda é um cantor de respeito e uma lenda viva do Heavy Metal.

Fonte: MetalRevolution.Net
Review por Clayton Franco / Edição por André Luiz
Fotos por Bruno IZ e Julio Machia
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