Iron Maiden em Brasília - Fotos e Vídeos

JORNAL DO BRASIL - É difícil abandonar essa platéia - disse Bruce Dickinson, agachado no palco diante de uma multidão extasiada de 25 mil pessoas que se aglomerou no estádio Mané Garrincha, em Brasília, para ver a lenda viva do rock entoar os agudos que lhe fizeram a fama.

Já se passavam quase duas horas de show e o bis do Iron Maiden, uma das bandas de heavy metal mais aclamadas do planeta, ainda presentearia os fãs com mais seis músicas, a começar pela icônica The Number of The Beast.

Foi uma apresentação construída para calar os críticos que insistem em dizer que o sexteto inglês é datado e só agrada aos saudosistas da adolescência passada nos anos 80. Ao menos três gerações cantaram em uníssono clássicos como Wrathchild, Run for the Hills e a belíssima Fear of the Dark, adivinhando cada música já nos primeiros acordes.

A seleção primorosa do set list da turnê Somewhere Back in Time superou carências técnicas e o som menos que perfeito do show - meio abafado, com dificuldade para chegar ao final da pista e já algo prejudicado próximo às arquibancadas.

Já na terceira música a platéia tinha esquecido o coro de "aumenta o som". O carisma de Dickinson faz a platéia se render a cada gesto do vocalista. Uma ameaça de briga no início do show se desfez só com uma piada do líder da banda. - Deixem isso para o show da f... Liza Minelli - apela Bruce, bem humorado.

E a discussão está terminada. Basta o vocalista erguer um braço em saudação e a audiência inteira imita o gesto do mestre dos vocais, cantando não só os refrões das músicas, mas cada verso das canções do Iron, sem errar.



O jovem Eric Dalton, de 16 anos, entoava as músicas que ouve desde os oito com o mesmo entusiasmo da veterana Vânia Carvalho. - Conheci o Iron Maiden há uns 20 anos e eles continuam perfeitos - disse Vânia, sem disfarçar a tietagem pela banda.

A simplicidade do cenário, não mais do que imagens gigantes de capas dos discos da banda, celebraram os melhores anos da donzela de ferro. A pirâmide/templo egípcio estilizados de Powerslave estava lá. A bandeira inglesa e o jaquetão vermelho do uniforme da guarda real britânica envergado pelo vocalista repetem a capa de The Trooper, ao fundo do palco.

Diferente das apresentações passadas no Brasil, a turnê desse ano repetiu no país o formato das apresentações na Europa, com o impecável jogo de luzes e fogos de artifício. Chamas enormes erguem-se ao refrão: "Six six six/ the number of the beast/six six six/ the one for you and me". E, é claro, há Eddie.

Provavelmente a múmia mais popular do mundo. É um monumental Eddie de mais de três metros de altura, olhos vermelhos e sorriso sádico, que percorre o palco e domina os comentários ao fim do show, já do lado de fora do estádio. Em qualquer barraquinha de cachorro-quente nos arredores do Mané Garrincha, é sobre a múmia gigante que os fãs comentam.

Jovens, maduros ou beirando a terceira idade, os metaleiros que se reuniram em Brasília para ouvir o Iron tocar deixaram longe a imagem de arruaceiros que preocupava os pais de outrora.

A própria presença de palco de Bruce Dickinson refletia o comportamento do público: o rosto maduro, a energia adolescente e uma voz que não sentiu os efeitos do tempo deram o tom de excelência da apresentação. Definitivamente, a face dos metaleiros mudou. Só permaneceu inalterada a paixão pelo melhor do rock.

E, o melhor de tudo, eles prometem estar de volta em 2011

FLICKR: CONFIRA DUAS GALERIAS DE FOTOS DO SHOW
JÚLIO LOPES e ANDRÉ SIMÕES

FONTE: JB ONLINE
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