Iron Maiden - Décadas arrastando multidões...

Por que o Iron Maiden atravessa décadas arrastando multidões?
Leandro Souto Maior, Jornal do Brasil

RIO - A passarela do samba vai virar o templo do heavy metal. Frustradíssimos por terem ficado de fora da última passagem do Iron Maiden pelo Brasil, no ano passado, os cariocas vão tomar a Praça da Apoteose com o grito de guerra "up the Irons!" neste sábado. Foi aqui que a banda se apresentou pela primeira vez na América do Sul (no primeiro Rock In Rio, em 1985) e fez o maior show de sua carreira – para cerca de 200 mil pessoas.

A partir daí foram mais seis passagens pelo Brasil. Em 1992 trouxe a turnê Fear of the dark; em 1996, com Blaze Bayley nos vocais, lançou The X-factor; em 1998 foi a vez da Virtual XI world tour; em 2004, com o show Dance of death; encerrou a turnê Brave new world na terceira edição do Rock In Rio em 2001; e (ufa!) no ano passado aportou com a turnê Somewhere back in time, a mesma que pisa o país agora, desta vez incluindo o Rio no roteiro e com algumas alterações no repertório em relação a 2008.

O roteiro recupera clássicos desde os primeiros álbuns, ainda com Paul Di'Anno no vocal, até o disco que marca o fim da primeira fase com Bruce Dickinson na formação (ele voltaria em 1999), Fear of the dark (1992). Os cenários do megaespetáculo trazem referências às turnês de Powerslave (1984) e Somewhere in time (1986).

Para aumentar ainda mais o frisson metaleiro que toma conta da cidade neste fim de semana, esgotaram-se todos os ingressos para a pré-estreia do documentário Flight 666, sobre os bastidores desta turnê, também no sábado, no Odeon BR.

Com 34 anos de carreira, 14 discos de estúdio, seis álbuns ao vivo e 70 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, o Iron continua recrutando novas gerações de fãs, que vão herdando os discos dos pais e tios roqueiros. O tempo passa e a plateia de seus shows continua a receber rostos repletos de espinhas no gargarejo. O que surpreende até os integrantes do grupo.

– Fiquei quase 10 anos fora da banda e ao voltar encontrei um público tão ou mais jovem que antes – diz o guitarrista Adrian Smith à Programa, por telefone, de Quito, capital do Equador, onde o grupo se apresentou esta semana. – Quando vi garotos de 17 anos cantando todas as músicas, pensei: “Isso é inacreditável”. Eu mesmo me pergunto o porquê deste fenômeno. Acho que somos diferentes de qualquer grupo que já existiu até hoje.

Para buscar uma explicação, temos que voltar ao ano de 1977. Testemunhava-se o pleno despontar do punk e da new wave. E exorcizavam as longas viagens instrumentais do então vigente rock progressivo. É neste cenário que destaca na Inglaterra o Iron Maiden, que conseguiu se impor e reforçar a força do metal numa época em que o estilo estava um tanto apagado pelas tendências recém-surgidas. E ainda se mantém como a principal referência e provavelmente a mais competente do gênero. São os pioneiros do que se chamou de new wave of British heavy metal (“nova onda do heavy metal britânico”)

– A gente começa ouvindo rock através dos grupos atuais e aí passa a querer buscar as origens daquele som. Assim se chega ao Iron Maiden e constatamos que é uma banda bem superior – conta o fã Eduardo de Campos, que, com o amigo Bruno Prunes (ambos de 18 anos), vai assistir a seus ídolos pela primeira vez. – É o estilo de grupo que todo garoto gostaria de chamar sua banda preferida – completa.

O Iron Maiden surgiu com um som originalíssimo, solos demarcados, baixo veloz, letras apocalípticas. Faz parte daquele grupo de artistas que estão sempre gravando e lançando discos. Com a mesma pegada.

– É daquelas bandas que você é obrigado a escutar. Afinal, são donos de verdadeiros hinos do rock – destaca Daniel Devescoti, 21, que já garantiu seu ingresso para o show no Rio. Sua namorada, Vanissa Wanick, 24, guarda até hoje o convite do primeiro show a que assistiu na vida, justamente uma apresentação do Iron Maiden no antigo Metropolitan (atual Citibank Hall), na Barra da Tijuca.

– Perdi um quilo naquele show só de suor. Juntei dinheiro para comprar uma camisa deles. Minha mãe não queria me financiar por causa das caveiras nas capas dos discos. Tenho a blusa até hoje e estarei na Apoteose vestida com ela – lembra. – Pena que foi com o Blaze Bayley, que eu chamava de “bunda de geleia”. A voz do Iron é o Bruce. Pelo menos tinha o (baixista) Steve Harris, que é um cara que praticamente deixa os fãs babando só de vê-lo em ação.

O Iron Maiden também é reconhecido pelo virtuosismo de seus integrantes. É praticamente um pleonasmo dizer que Harris é um dos melhores de todos os tempos em seu instrumento. Outra marca da banda são os intrincados diálogos das guitarras. A partir de 1999, com a volta de Adrian Smith ao grupo, a parede de guitarras incorporou um terceiro instrumento.

– Ao vivo eram dois guitarristas, mas em estúdio sempre gravávamos outras camadas por cima – conta Smith. – Agora conseguimos levar para o palco o mais perto possível dos arranjos originais.

Por falar em estúdio, tão logo termine a turnê Somewhere back in time, no meio deste ano o Iron Maiden planeja gravar mais um álbum de inéditas, com turnê mundial programada para 2010.

– Depois de um descanso, vamos começar a compor novo material. Em novembro gravamos e no verão (no Hemisfério Norte, inverno no Brasil), estaremos iniciando mais uma grande turnê mundial – adianta o guitarrista.

Além dos já citados Smith, Harris e Dickinson, completam o time do Iron Maiden no palco o baterista Nicko McBrain e os guitarristas Dave Murray e Janick Gers, além de Eddie, o mascote da banda, um morto-vivo que aparece nas capas de todos os álbuns e também é presença certa nos shows.

Daqui a 10, 20 anos, mais um punhado de lançamentos e turnês vai confirmar a excelência de um grupo que insiste em permanecer numa cápsula à prova de tempo.

Fonte: JB ONLINE

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