O Globo: Entrevista com Bruce Dickinson

Por Eduardo Fradkin / O Globo

Há cinco dias, em Belgrado, capital da Sérvia, a banda inglesa Iron Maiden deu início ao segmento final da turnê "Somewhere back in time", que esteve no Brasil ano passado - em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre - e voltará ao país dia 12 de março, data de um show em Manaus. O seguinte, dia 14, será no Rio, na Praça da Apoteose - e 15 mil ingressos já foram vendidos. Depois a banda passará por São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife. A capital pernambucana receberá o penúltimo show da turnê, iniciada em fevereiro de 2008. O último será em solo americano, na Flórida, dia 2 de abril.

Em entrevista por telefone antes de ir à Sérvia, o vocalista Bruce Dickinson disse que seriam incluídas músicas raras dos três primeiros discos na fase final da turnê, mas fez mistério sobre quais seriam. Os fãs sérvios, porém, revelaram pela internet as novidades. As faixas que entraram foram as raríssimas "Phantom of the opera" e "Children of the damned" e as menos incomuns "The evil that men do", "Sanctuary" e "Wrathchild" (tocadas no último Rock in Rio, em 2001, e registradas em CD e DVD).

As músicas que saíram foram "Heaven can wait", "The clairvoyant", "Moonchild", "Revelations" e "Can I play with madness". Clássicos como "The trooper", "Aces high", "2 minutes to midnight" e "Rime of the ancient mariner" foram mantidos.

Todas as músicas do show, à exceção de "Fear of the dark" (de 1992), são da década de 1980, quando a banda viveu sua melhor fase.

O Brasil foi um dos primeiros lugares que visitamos nesta turnê. Fizemos bons shows, mas não tínhamos todo o equipamento que viríamos a usar depois na Europa. Não foi possível levá-lo. Tocamos em lugares, principalmente nos Estados Unidos, que não nos permitiram usar muita pirotecnia. Mas, depois que usamos esses recursos à vontade na Europa, pensamos: "Caramba, temos que ter isso sempre nos shows!". Então, planejamos com antecedência e conseguiremos levar a parafernália toda para o Brasil - afirmou Dickinson.

A parafernália inclui uma múmia gigante, símbolo do disco "Powerslave" (de 1984), que surge por trás da bateria de Nicko McBrain durante a canção "Iron Maiden", labaredas que brotam do palco a todo momento, fogos de artifício, um teto repleto de holofotes que é rebaixado alguns metros (durante a música "Rime of the ancient mariner") e um bode maligno em "The number of the beast".

Para a banda e sua equipe, uma diferença salutar entre essa turnê e a de "Powerslave", de 1985, a primeira que os trouxe ao Brasil, no Rock in Rio, é o ritmo de trabalho.

- Naquela turnê, a "World Slavery Tour", foram nove shows a cada dez dias, durante um ano. Quando acabou, estávamos exaustos. Agora, temos intervalos maiores - alega o cantor, que subirá ao palco 13 vezes no mês de março.

Muitos fãs se perguntam como ele consegue manter o pique acelerado nos shows e ainda pilotar o avião que leva a banda. Isso não é segredo.

"Quando faço um show, não piloto nas 12 horas seguintes. Meu emprego principal é como cantor do Iron Maiden"

- O avião tem três capitães, e eu sou o terceiro. Sou o piloto de apoio. Eu piloto cerca de um terço do total de horas de voo. Respeito as leis de aviação civil, que exigem 12 horas de descanso. Portanto, quando faço um show, não piloto nas 12 horas seguintes. Meu emprego principal é como cantor do Iron Maiden - disse Dickinson.

Se o Rio ficou sem ver o Iron no ano passado, agora poderá ficar em vantagem sobre o resto do mundo. Um documentário sobre a banda, chamado "Flight 666", será lançado em cinemas de todo o planeta dia 21 de abril, mas poderá ter uma pré-estreia mundial no Cine Odeon, dia 14, com a presença dos ingleses.

- Ainda estamos negociando isso, mas espero que se concretize. O filme ficou sensacional, e eu posso dizer isso com imparcialidade porque nenhum de nós, da banda, opinou na produção. É o Iron Maiden como os fãs nunca viram - resumiu Dickinson, esclarecendo aos risos em seguida: - Não, não há psicólogos no nosso filme (em "Some kind of monster", documentário sobre o Metallica, os músicos aparecem fazendo terapia).

Fonte: O GLOBO
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